domingo, 25 de julho de 2010

VOCÊ SABIA? - SÃO JOÃO DA BARRA TEM PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE ETIMOLOGIA ITALIANA

Foto: Ruínas do Trapiche, hoje. Foto: O Trapiche quando estava intacto. Foto: O Trapiche de S.J. da Barra estava localizado na mesma direção das palmeiras Imperiais do cais do porto. Foto de Aloísio de Castro Faria.
Foto: Pranchões descarregavam suas mercadorias ao lado do Trapiche de S.J. da Barra.
Quem é que nunca teve o prazer de ver um belo pôr-do-sol, através das antigas ruínas do Trapiche, no cais do Alecrim em São João da Barra? Sendo um local de inspiração para amantes do patrimônio histórico, contempladores da natureza e namorados, o velho trapiche tem muitas histórias para nos contar. Mas qual é a história de nosso trapiche? o que significa trapiche? Aos engenhos de açúcar, movidos a bois, davam, no século XVI, o nome de trapiche, como informa Fernão Cardin, na narrativa epistolar: "Outros não são d`água, mas moem com bois, e chamam-se trapiches." Trapiche é sicilianismo. Casa de engenho ou casa de moer; bolandeira; guindadeira; parol; fornalha; bagaceira; casa das caldeiras, reminhões, repartideiras, tachos; casa de purgar; mascavado; branco; mel; remel e etc., todos esses vocábulos são vernáculos. Alguns procedemde língua arábica, o que não é de estranhar, pois a técnica da produção do açúcar, em grande parte, se deve aos árabes: alambique, álcool, açúcar, etc. Como também a técnica mediterrânea do açúcar se deve aos produtores da Sicília, é natural que viessem também alguns vocábulos da ilha italiana. O étimo de trapiche é o vocábulo siciliano: trapeti. Lipamn assim documenta acerca da Sicília: "Há aí casas chamadas trappeti, donde tem lugar a fabricação" (História do Açúcar, trad. de Haroldo Coutinho, vol II, página 21). Fonte da Pesquisa: Ribeiro, Joaquim. Os Brasileiros. Editora Pallas S.A, Rio de Janeiro,1977, página 114 e 115. O NOSSO TRAPICHE Um dia a rua Beira-Rio teve um robusto prédio que se chamava trapiche. Construído por volta de 1855, nele eram armazenadas muitas mercadorias que transitavam pelo porto sanjoanense. No século XX, nas décadas de 1920 a 1940, pertenceu à firma de transportes marítimos "Araujo & Cia Ltda", de Joaquim e Francisco da Costa Araujo. Hoje só restam as ruínas do trapiche para serem apreciadas. O Governo municipal desapropriou o local que era de particulares e tem projetos para que a área em que está o trapiche se torne revitalizada abrigando mais um espaço de vivências da cidade e com um memorial do auge da navegação fluvial em São João da Barra. Em Seixal, Portugal, as autoridades estão fazendo isso com os cais em ruínas e prédios históricos da Baía. Para se ter ideia da importância dos Trapiches para o Brasil, por volta de 1840, foi publicado no jornal "O Monitor Campista" uma lei federal exclusivamente para a devida gestão dos trapiches no território nacional, talvez quase que uma norma de conduta da época para o que chamamos hoje de administração da logística portuária. Histórias à parte, este monumento, que tem a origem de seu nome lá no mediterrâneo ,deve ser preservado. Curtamos então os visuais deste local que merece uma visita sempre. Ah, vá pelo "Beco do Araújo" para dar maior clima! Fonte de Pesquisa: Oscar, João. Apontamentos para a História de São João da Barra. Mini-gráfica editora, Teresópolis. 1977. VISTA DO IPHAN AO TRAPICHE, EM 2005. Foto: Fortunato Ferraz, arquiteto do Iphan, visitou o Trapiche de São João da Barra e deu sugestões para seu tombamento como patrimônio histórico. Foto: Andre Pinto, quando era diretor da ONG COCIDAMA, com o arquiteto Fortunato Ferraz, nas ruínas do Trapiche.

Um comentário:

Angeline disse...

Parabéns, André pela bela postagem e pela valorização das ruínas do trapiche.