domingo, 31 de agosto de 2008

BIODIESEL DO FUTURO PRESENTE EM CAMPOS

O biodiesel, considerado o combustível do futuro e uma das alternativas de fonte renovável para quando o petróleo acabar, já é uma realidade em vários estados e, também, em Campos. Pesquisado e conhecido desde o início do século passado, principalmente na Europa — em 1895, Rudolf Diesel desenvolveu motor a diesel, apresentando a invenção em mostra mundial, em Paris, usando o amendoim como combustível —, por enquanto o biodiesel no Brasil ainda é considerado caro, porque os óleos de onde é extraído o combustível, especialmente os que têm valores alimentícios, também o são. É por isso que o produto ainda não é vendido separado, assim como a gasolina, álcool ou diesel. A luta pelo biodiesel é tratava há tempos pelo governo federal, que montou uma verdadeira estratégia de marketing em torno do combustível, inclusive, criando o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Com isso, ficou estabelecido que, a partir de janeiro deste ano, seria compulsória a adição de 2% do produto ao diesel convencional, tendo como meta, até 2011, produzir 855 milhões de litros de biodiesel/ano. Para os especialistas de plantão, como os pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio (Pesagro), o mais importante nesse momento é o incentivo à produção da matéria prima do biodiesel, as plantas oleaginosas — girassol, mamona, canola babaçu, amendoim, pinhão manso, soja e outras — consideradas como de alto poder de recuperação do solo, melhorando a fertilização e, conseqüentemente, a produtividade. Esta seria uma das maneiras de baratear a escala do produto. O pesquisador da Uenf, Alexandre Stumbo, responsável pela planta piloto de biodiesel na universidade, explica que a unidade experimental mantida no local, voltada à pesquisa, pode produzir até 800 litros/dia do combustível, trabalhando com qualquer tipo de óleo. A unidade trabalha em parceria com a Pesagro e Prefeitura de Campos, esta última instituição recolhendo óleo de cozinha pra a transformação em biodiesel. “Não temos produção diária, porque não temos matéria prima suficiente”, acrescenta o pesquisador. PRODUTOR RURAL DA REGIÃO AINDA TEM DESCONFIANÇA
Hoje em Campos já existem estudos de adaptação climática, com mapas indicativos das condições especiais para o plantio das oleaginosas, matéria prima para o biodiesel. Quem cuida da área agronômica no município é a Pesagro, que aposta, entre todas as plantas, no girassol, rústica e apontada como ideal ao clima da região, uma cultura que agrega valores, propiciando ainda a exploração da apicultura. O diretor e pesquisador do órgão, Silvino Amorim, explica que o girassol, considerado um dos óleos nobres na culinária, pode ser plantado no período de outono-inverno e, também, no verão. Silvino já tem tudo na ponta do lápis. Segundo ele, uma tonelada de semente de girassol pode produzir até 450kg de óleo. E em termos de investimento para o produtor, os números também não deixam de ser satisfatórios. Silvino calcula que três hectares da plantação correspondam a dois mil litros de óleo, ou dois mil litros de biodiesel. — Temos mostrando nossos trabalhos em torno do biodiesel em toda a região, incentivando o Sebrae e outros setores da economia para a criação de uma cadeia produtiva, desde à tecnologia, até à comercialização — diz Sivino. Embora os órgãos locais tenham pesquisas e estudos prontos, na região não existe ainda produtor trabalhando para isso, só alguns de forma isolada e em pequenas áreas. Ainda paira desconfiança no ar.
PRÓ-DIESEL QUER REPETIR FÓRMULA DO PRÓ-ÁLCOOL O biodiesel é uma alternativa aos combustíveis derivados de petróleo, podendo ser usado em carros ou qualquer veículo com motor diesel. Entre as vantagens, destaca-se a de ser um combustível que emite menos poluentes que o diesel. Para os estudiosos, cada vez mais a gasolina, diesel e derivados do petróleo tendem a subir, envolvendo aumento do consumo, conseqüente diminuição das reservas e até problemas políticos, com o preço do barril de petróleo disparando a cada ameaça de guerra ou crise internacional. O Pró-Diesel, segundo o governo federal, tende a ser sucesso como foi o Pró-Álcool, em 1975. Fonte: Jornal Folha da Manhã de 31/08/08.

DESABAFO DA BIODIVERSIDADE É FEITO POR SOFFIATI

EU, UM VERME.
*Aristides Soffiati.
Desde 1977, quando passei a atuar publicamente em defesa do ambiente, sinto que estou me afastando da humanidade. Não da humanidade em geral, mas da humanidade que foi contaminada pela civilização ocidental cristã na sua fase capitalista e que agora atingiu o mundo todo. Naqueles remotos tempos, escrevi o poema “SE”, publicado no livro “Depois do Princípio e Antes do Fim” (1992), que já revelava este abandono: “Se, por um mistério indecifrável e desafiador, nasci/humano, quando poderia ter assumido a forma de uma das/dez milhões de espécies vegetais e animais que estamos implacavelmente exterminando,/por que então orgulhar-me de ser “Homo Sapiens”?// Se a maioria dos seres vivos, por um acaso inexplicável,/ou é fêmea ou é macho, por que orgulhar-me da minha/condição de homem, quando poderia ter nascido mulher?//Se os seres humanos se dividem, independentemente/de sua vontade, em várias etnias, por que orgulhar-me de/ minha pele branca, quando ela poderia ser negra ou amarela?// Se, a despeito das mais sofisticadas explicações científicas,/não se consegue demonstrar a diversidade das culturas/humanas nem a razão pela qual meu ser não habita o corpo/de um esquimó, de um sumério, de um hopi ou de um jaina,/por que então orgulhar-me de ser brasileiro?” Este afastamento não era consciente, a princípio. Agora é. Principalmente depois que li “A Criação: como salvar a vida na Terra”, do biólogo Edward O. Wilson, um dos maiores especialistas mundiais em biodiversidade. Embora ateu, Wilson, já com idade avançada, está empenhado numa cruzada para conseguir o apoio das denominações religiosas do judaísmo, do cristianismo e do islamismo para a proteção da vida no planeta. No meu entender, ele está perdendo tempo. Judaístas, cristãos, muçulmanos, liberais, marxistas, anarquistas, esquerda e direita, não conseguiram, nestes trinta anos de crise ambiental mais aguda, perceber a gravidade dela. Não digo todos, pois sempre há exceção, mas a maioria continua vivendo a sua vidinha individual ou social alheia ao mundo, preocupando-se, no máximo, com as questões econômicas, políticas, sociais e culturais. Apesar da grande massa de informações veiculadas pelos meios de comunicação, as pessoas não acreditam como deviam no aquecimento global, na destruição das florestas, na perda de vitalidade dos oceanos, no empobrecimento da biodiversidade e em tantos outros problemas mais. A grande burguesia globalizada continua, cada vez mais aceleradamente, buscando seus lucros com sofreguidão. Há empresários ou defensores deles que tentam me convencer da possibilidade de um desenvolvimento sustentável, conciliando desenvolvimento clássico com proteção da natureza. Discurso, mero discurso. A pequena burguesia nada faz além de buscar seus interesses mesquinhos e imediatistas. A classe média — e aqui, incluo os intelectuais — está neste mundo a passeio. Os pobres e miseráveis estão sendo empurrados para a margem aceleradamente. No entanto, aprenderam os valores dos dominantes. Buscam sobreviver a duras penas ou a ambicionar os bens das classes acima deles. Nada de projeto novo para um mundo novo. E os políticos, o que pensar dos políticos? É possível acreditar no G-8? É possível acreditar na China? É possível acreditar no Brasil? Lula, Dilma Roussef, José Genoíno, José Dirceu, todos estes que lutaram por um mundo melhor, a seqüência dos prefeitos renovadores que assumiram o governo em Campos após Garotinho, só fizeram minar minha confiança. Bom, pessoal. Estou escrevendo apenas uma carta de adeus. Não adeus ao mundo. Não pretendo me matar. Que ninguém busque meu apoio nestas eleições municipais. Nem direita nem esquerda. Tenho sido vítima desses candidatos oportunistas que só me procuram em ano eleitoral, oferecendo-se como porta-voz da causa ecologista e tentando explorar minha história de coerência. De antemão, declaro que anularei meu voto. Hoje, identifico-me mais com os vermes, com os urubus, com as plantas, com os fungos, com os invertebrados. Não posso ser um verme porque nasci humano. Contudo, a partir de agora, sou um humano ao lado da biodiversidade, defendendo-a de todos vocês. Pelo menos, estarei em boa companhia.
fonte: Publicado no jornal Folha da Manhã - domingo - 31/08/09.
Eu , um híbrido
Mais que um desabafo, “Eu, um verme”, artigo que publiquei na FOLHA DA MANHÃ, no dia 31 de agosto último, foi uma catarse. Várias pessoas me escreveram felicitando-me pelas idéias expostas. Outras compreenderam minha angústia. Outras, ainda, criticaram-me e me pediram otimismo. Uma aconselhou-me o conformismo diante da vontade de Deus e da capacidade de resistência da vida. Particularmente uma, perguntou-me o que fazer. Como se tratou de uma catarse, minha depressão começou a ceder. As idéias foram se assentando. Depois do processo de mudança que se iniciou em mim a partir de abril de 2008, percebo que não há mais reversão completa. Foi assim com duas crises profundas em minha vida. A sucessão delas me transforma cada vez mais num ser híbrido, conforme Bruno Latour concebe hibridismo. Primeiro, eu era um ocidental e me transformei num ocidental-outras culturas. Agora, sou um humano-outros seres vivos e não vivos. Sou professor, pesquisador e militante. Escrevo artigos científicos e artigos jornalísticos. Sei e não sei quem sou. Só sei que sou um homem angustiadamente do meu tempo. Se tivesse três pés, um se assentaria sobre o passado, outro no presente e outro no futuro. Como não tenho, meu espírito percorre os três tempos sem segmentá-los. Sempre que analiso o presente, recorro ao passado e faço prognósticos. Estou lá e cá. Ao mesmo tempo, nem lá nem cá. Ainda seguindo Bruno Latour, reconheço que o mundo não-humano é constituído de sujeitos que se manifestam, que “falam”. Em minha tese de doutorado, ousei colocar os manguezais como sujeitos de história ao lado dos humanos. Receei ser massacrado pelos meus examinadores. Contei com o apoio corajoso de Maria Manuela Ramos de Sousa Silva, minha orientadora. Agora, não temo mais me expor. Teórica e afetivamente, creio mesmo que minerais, bactérias, protozoários, plantas e animais produzem história e interagem conosco. Não são objetos inertes, como tentou demonstrar a filosofia clássica. Nem nesta os seres não-humanos foram silenciados. Eles falaram aos filósofos e cientistas, que não souberam ouvir com mais clareza o seu discurso. Vejam o caso dos invertebrados tardígrados, dos quais pretendo escrever em breve. Eles vêm falando aos cientistas que estão bastante preparados para enfrentar o aquecimento global. Muito melhor do que nós. Mas nossos ouvidos moucos não ouvem sua voz. Nossa arrogância antropocêntrica os despreza. Hoje, circulo nos dois mundos. Ora me fascino com a filosofia, com a ciência, com a literatura, com as artes plásticas e com a música. Ora abandono o mundo humano e viajo para o mundo não-humano. Lá (ou aqui), também encontro as maravilhas produzidas pelas pedras, pelas águas, pelos vegetais e pelos animais. Claude Lévi-Strauss também vê arte nos moluscos e nos insetos. A diferença é que os artistas podem se tornar pretensiosos. Os minerais e os animais, não. Eles nem sabem o que fazem e por isto fazem melhor. Sou meio humano, meio pedra, meio planta, meio bactéria, meio protozoário, meio bicho. Híbrido. Pela mesma trilha de Bruno Latour, estou olhando nossa civilização por um prisma antropológico. Os antropólogos julgaram-se (talvez ainda se julguem) superiores às culturas que estudaram, pois só o ocidente seria capaz de criar a antropologia. Quem nos garante que os outros povos também não nos olharam antropologicamente? Pois bem, examinando a economia de mercado por um ângulo antropológico é que vejo nela, como Wallerstein, quatro pontos de insustentabilidade: o ambiental, o econômico, o social e o político, assunto que fica para outro dia. Sucede, que saio e retorno ao ocidente. Mais um indício de minha hibridez. Por fim, o que fazer, como me pediu a professora de história Martha de Carvalho Schultz? Atualmente, não sei bem. Sempre me perguntam qual a solução para a profunda crise do nosso tempo. A pergunta não tem resposta simples. Quiçá, nem mesmo resposta. Wallerstein sustenta que o capitalismo se esfacela em 50 anos por conta de suas contradições. Não sei. Creio, provisoriamente, que devemos ter uma estratégia mínima e modesta para o futuro e escolher táticas que nos aproximem dela. Da minha parte, não consigo apenas viver aqui e agora. Penso no futuro e assumo minha condição de híbrido para pensar melhor. Como concluí, por minhas leituras, que o mais grave problema da atualidade é o empobrecimento da biodiversidade, tenho me dedicado a estudá-lo. Meus escritos e minhas palestras versam sobre este tema. É uma contribuição modesta, mas é o que posso fazer.
Fonte: Folha da Manhã, 14/09/08. Complexus.

sábado, 30 de agosto de 2008

PETROBRÁS LANÇA PROJETO MOSAICO TERRA NO UPEA EM BARCELOS

A SOLENIDADE
O sábado da manhã do dia 30/08/08, apesar da ameaça de chuva e mudança de tempo, não fez com que os convidados que estiveram presentes ao lançamento do Projeto Mosaico Terra perdessem a animação.
Diretora do Ifet, Cibele Daher, o diretor do UPEA, Vicente Santos, Professor Jefferson e membros do departamento de projetos sustentáveis da Petrobrás deram início à solenidade dando boas vindas aos presentes onde falaram dos objetivos do projeto Mosaico Terra. O ponto alto foi quando o "Toninho", representante de um assentamento envolvido no projeto, em quebra de protocolo permitida pela organização do evento, tomou a palavra para dizer da alegria de estar presente ao lançamento, da implementação do projeto e também da dificuldade dos agricultores familiares e produtores rurais na geração de renda e incentivos agrícolas.
Representando São João da Barra, estiveram presentes André Pinto que é assessor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, membro do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Sustentável e membro do Conselho Municipal de Segurança Alimentar Sustentável, Sr. Getúlio Alvarenga que é Presidente do Sindicato Rural de São João da Barra, Bebeto Gaia que é produtor rural, Zulício Novas que é assessor da Secretaria Municipal de Agricultura, Dr. Pedro Nilson que é Secretário Municipal de Agricultura e outros assessores do governo municipal.
O PROJETO MOSAICO TERRA - DA PETROBRÁS - O QUE É ?
Como objetivo desenvolver a agricultura e pecuária familiar em comunidades de Campos, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, o Programa Petrobras Mosaico Terra foi lançado hoje, às 10h, na sede da Unidade de Pesquisa e Extensão Agro-Ambiental (Upea) do Cefet/Campos, em Barcelos, São João da Barra. O convênio envolve a Petrobras, Cefet Campos e Fundação Cefet-Campos. O projeto prevê a capacitação de produtores rurais para o uso de tecnologias auto-sustentáveis, capacitação e resgate do uso de plantas medicinais pelos agricultores de base familiar, além de saúde ambiental, resgate cultural e capacitação para geração de renda.
QUEM SERÃO OS ATENDIDOS ?
Ficou evidenciado que o programa atenderá num primeiro momento à 110 famílias das comunidades do Açu, Venda Nova, Campo Novo, Barcelos e dois assentamentos. Os jovens do Criam de Campos também estão inseridos no programa.
COMO SERÁ A CAPACITAÇÃO ?
O programa oferece 25 cursos que vão ser realizados nas comunidades ou na sede da UPEA.
PROFESSOR VICENTE FALA SOBRE O NOVO PROJETO
O diretor da UPEA, Professor Vicente Santos, estava bastante feliz com a participação da sociedade civil organizada, dos poderes públicos e das comunidades que serão beneficiadas. Segundo matéria do jornal Folha da Manhã de 30/08/08, "o Professor disse que o grande diferencial é o olhar para a agricultura familiar. — Não existe até hoje uma ação efetiva na Bacia de Campos com esta vertente. Queremos atender à família como um todo e até 2017 estender o trabalho para o Noroeste e Região dos Lagos — explica Oliveira. Ele adiantou que os jovens das comunidades, entre 16 e 24 anos, também serão atendidos pelo programa através de uma formação profissional agro-ambiental. “Com o projeto, esperamos contribuir para a sustentabilidade dos agricultores rurais”, afirma Lincoln Weinhardt, gerente de Comunicação da Unidade de Negócio da Bacia de Campos. "

HORTA ORGÂNICA DO UPEA - APRESENTÁVEIS MUDAS DE ALFACES

ESTUFA DO UPEA COM A VISITAÇÃO ABERTA ÀS COMUNIDADES QUE PARTICIPARÃO NO PROJETO MOSAICO TERRA.

A POPULAÇÃO, QUE SE BENEFICIARÁ COM O PROJETO, ESTAVA FELIZ COM OS RESULTADOS DA ESTUFA.

REPRESENTANTE DO DEPARTAMENTO DE PROJETOS SUSTENTÁVEIS DA PETROBRÁS CONHECEU UMA PRÉVIA DOS TRABALHOS DE ARTESANATO, AGRICULTURA ORGÂNICA E ECONOMIA SOLIDÁRIA QUE SERÃO DESENVOLVIDOS NO PROJETO.

PRODUÇÃO DE ARTESANATO DE PALHA DE COQUEIROS E COLHEITAS DE PRODUTOS SEM AGROTÓXICOS FORAM PONTOS ALTOS DO ENCONTRO.

COMUNIDADE VISITA ESTUFA MODELO E VÊ A DISPONIBILIDADE DE IMPLANTAÇÃO EM SUAS PROPRIEDADES RURAIS.

O PRESIDENTE DO SINDICATO RURAL DE SÃO JOÃO DA BARRA, MUITO ELOGIADO PELO PROFESSOR VICENTE SANTOS, DIRETOR DO UPEA, DURANTE O LANÇAMENTO DO EVENTO, DÁ ENTREVISTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL DA PETROBRÁS.

ANDRÉ PINTO JUNTO COM UM COLEGA DA SECRETARIA MUNICIPAL DE AGRICULTURA VISITA A ESTUFA DO UPEA.

PRODUTOR RURAL, PESCADOR E ARTESÃO DÁ EXPLICAÇÕES AOS JOVENS DE COMO SE FAZER UMA REDE DE PESCA EM ACORDO COM A LEGISLAÇÃO AMBIENTAL.

SABOROSO ALMOÇO FOI OFERECIDO AOS PRESENTES EM CLIMA DE FESTA E MUITA ANIMAÇÃO COM O LANÇAMENTO DO PROJETO MOSAICO TERRA.

JACUY, GETÚLIO ALVARENGA, BEBETO GAIA, PROFESSOR MAURI LIMA DA UFRRJ E ANDRÉ PINTO EM BATE PAPO SOBRE O PROJETO NA ÁREA DE PLANTIO DO UPEA.

CIBELE DAHER, JEFERSON, VICENTE SANTOS E O REPRESENTANTE DE PROJETOS SUSTENTÁVEIS DA PETROBRÁS.

GETÚLIO ALVARENGA, DR. PEDRO NILSON, BEBETO GAIA E O PROFESSOR MAURI LIMA NA ENTRADA DO UPEA.

PROFESSOR VICENTE SANTOS E PROFESSOR ROBERTO MORAES COM UM AMIGO NO TANQUE DE PISCICULTURA DO UPEA O ALMOÇO SERVIDO FOI AO LADO DA PLANTAÇÃO DE AGRICULTURA ORGÃNICA (PEPINOS)

Crédito das fotos (todas do UPEA) : André Pinto.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

COVITE LANÇAMENTO DO PROGRAMA PETROBRÁS MOSAICO TERRA

Caro(a) Senhor(a)
O CEFET Campos vem convidá-lo(a) para participar do Evento Público de Lançamento do PROGRAMA PETROBRÁS MOSAICO TERRA.
O Programa será desenvolvido na Unidade de Pesquisa e Extensão Agro-Ambiental do CEFET Campos (UPEA/CEFET Campos) a partir de uma parceria entre a PETROBRÁS, o CEFET Campos e a Fundação CEFET Campos, tendo por objetivo a realização de ações de apoio a Agricultura e Pecuária Familiar em comunidades situadas nos municípios de Campos dos Goytacazes, São João da Barra e São Francisco do Itabapoana.
O evento de Lançamento do Mosaico Terra será realizado no próximo dia 30/8, sábado, das 9 às 12:00h, na UPEA/CEFET Campos localizada na BR-356 S/N (estrada Campos-São João da Barra) próximo a Barcelos.
Na oportunidade será oferecido almoço aos participantes do evento. Atenciosamente
Vicente de Paulo Santos de Oliveira
Diretor da Unidade de Pesquisa e Extensão Agro-Ambiental
Engenheiro AgrimensorD. Sc. Engª Agrícola
Cel. (22) 9981-3925

SÃO JOÃO DA BARRA COM SISTEMA DE MONITORAMENTO DE LENÇOL FREÁTICO E DO ÍNDICE PLUVIOMÉTRICO

Prefeitura de São João da Barra Secretaria de Comunicação Social Maurício Barreto 29-08-08 São João da Barra com sistema de monitoramento do lençol freático e do índice pluviométrico A partir dessa semana, São João da Barra passa a contar com um sistema para monitoramento do lençol freático, do índice pluviométrico e do nível do Rio Paraíba do Sul. O equipamento, composto por quatro piezômetros, sete pluviômetros e por uma régua de medição, foi adquirido por meio de um convênio entre a coordenadoria municipal de Defesa Civil e a LLX, empresa responsável pelo Complexo Logístico e Portuário do Açu. Instalados nas localidades de Açu e Mato Escuro, ambas no quinto distrito, na praia de Grussaí e em um outro ponto da cidade ainda a ser definido pela coordenação de Defesa Civil, os piezômetros irão possibilitar a medição do nível de lençol freático, permitindo a emissão de alertas sobre a situação em todo município. A previsão em relação a possíveis saturações do lençol freático será feita através do índice de chuva, constatado através dos pluviômetros, instalados em Mato Escuro, Açu, Sabonete, Barcelos, Cajueiro, Grussaí e na sede do município. Em relação à régua, ela ficará instalada nas imediações da sede da Defesa Civil, com as medidas do nível do Paraíba do Sul sendo coletadas duas vezes ao dia, sempre no início da manhã e no começo da tarde. — São João da Barra tem uma geografia plana, onde os principais problemas em época de cheia são as inundações em decorrência do nível elevado do Paraíba e da saturação solo. Com esse monitoramento poderemos estar emitindo alertas à população e tomando as providências cabíveis para amenizar a situação — explica Felício Valiengo, coordenador da Defesa Civil em São João da Barra.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

AQUÍFEROS DA REGIÃO DA BAIXADA CAMPISTA NECESSITAM DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

RESERVAS Aqüíferos da região de Campos e São João da Barra necessitam de preservação ambiental Após dois anos de trabalho, pesquisadores da Unicamp delimitaram quatro grandes aqüíferos em Campos dos Goytacazes, região norte do estado do Rio de Janeiro. Batizados com os nomes Fraturado, Terciário Formação Barreiras, Terciário Formação Emborê e Quaternário Deltaico e com qualidade de água considerada excelente, os aqüíferos são de fundamental importância para a região, onde o abastecimento é crítico. Para se ter uma idéia do potencial hídrico, o aqüífero Quaternário Deltaico, considerado o mais promissor de todos, possui uma reserva 11,7 bilhões de metros cúbicos. Isso significa que apenas um poço pode captar 140 m3/h, volume suficiente para abastecer uma cidade de 13,5 mil habitantes. A coordenadora da pesquisa, Sueli Yoshinaga Pereira, do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp, diz que ainda faltam informações para determinar a reserva total dos outros aqüíferos. "Por causa da bacia petrolífera existente, sabe-se muito sobre a composição geológica do município, mas muito pouco sobre as condições hidrogeológicas dessa parte continental de Campos", acrescenta Sueli. As informações iniciais eram de que Campos possuía recursos hídricos subterrâneos significativos. Faltava, porém, delimitar o tamanho e a importância desses recursos. Para esse trabalho, os pesquisadores da Unicamp tiveram ajuda da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae) e de instituições de pesquisa e universidades fluminenses. A reserva renovável do Quaternário Deltaico é de 15,5 milhões de m3 e a qualidade da água é excelente. Para chegar à população, só será preciso retirar o excesso de ferro e dosar a cloração, o que sai mais barato do que construir uma estação de tratamento convencional. "O aqüífero Emborê, embora seja menor que o Deltaico, possui uma qualidade de água ainda melhor, o que reduz mais o investimento", acrescenta a coordenadora. Essa avaliação tem como base a tese de mestrado de Lucio C. Caetano. O trabalho revela que instalar uma estação de tratamento de água produzindo 30 m3/h custa US$ 94 mil, e mantê-la significa um gasto de US$ 32 mil/ano; para perfurar um poço artesiano com a capacidade para 35 m3/h, o investimento é de US$ 72 mil e o tratamento da água desse poço custa US$ 3,8 mil por ano.
QUESTÃO AMBIENTAL
A preocupação seguinte é o aspecto ambiental. A região teve um crescimento acelerado nos últimos anos devido à exploração petrolífera. "Campos enriqueceu e as conseqüências desse crescimento estão na impactação do solo com construções e asfaltamentos, e nas intervenções humanas no meio-ambiente, principalmente o uso de agrotóxicos na agricultura, com risco de contaminação de seus recursos hídricos", diz a pesquisadora. Outro fator preocupante é o clima semi-úmido da região, com chuvas escassas e grande evaporação. Uma nova tese de mestrado está em andamento, a partir desses dados e deve servir de subsídio para as prefeituras da região de Campos. "A não aplicação de políticas ambientais pode comprometer seriamente todo o manancial existente na área", alerta a pesquisadora. Jeverson Barbieri © 2008 Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência Universidade Estadual de Campinas Labjor - Reitoria V - 3º Piso CEP: 13083 - 970 Campinas SP Brasil Tel: (19) 3289 3120 / 3788 7165 Fax: (19) 3788 7857 cienciaecultura@sbpcnet.org.br

domingo, 24 de agosto de 2008

SOFFIATI CITA A BIODIVERSIDADE FAUNÍSTICA DO NORTE E NOROESTE FLUMINENSE NO JORNAL FOLHA DA MANHÃ DE CAMPOS

A biodiversidade faunística (I)
Aristides Soffiati
É como ecohistoriador que abordo o tema do título em alguns artigos a partir de hoje. Começo pelos invertebrados, valendo-me de uma variada gama de documentos. Pretensiosa a maneira com que operam nossos cientistas: caracterizam como vertebrado um grupo de animais que contam com uma coluna dorsal articulada constituída de segmentos calcificados a amarrar outros elementos ossificados formadores do que se denomina esqueleto interno.
Todos os outros animais que não possuem esta endoestrutura são colocados numa grande ante-sala com o rótulo de invertebrados. Os autores que mais contribuem para o conhecimento deste meta-grupo, no século 19, foram Maximiliano de Wied-Neuwied, Auguste de Saint-Hilaire e Hermann Burmeister, cada um com seus favoritismos, mas todos eles naturalistas que visitaram o território hoje correspondente ao norte-noroeste fluminense.
As pesquisas arqueológicas efetuadas no arquipélago de Santana por Tânia Andrade Lima e Regina Coeli Pinheiro Silva revelam que os inverte-brados integraram a dieta dos povos que a habitaram antes da chegada dos europeus. Dentre eles, os crustáceos estão pouco representados. Foram identificados os cirripédios (cracas) “Tetraclita stalactifera” e “Coronula diadema”, o primeiro preferencialmente grudando-se a substratos rochosos na linha das marés mais altas, ao passo que o segundo aderindo à epiderme de baleias.
Dedos fixos de siris e caranguejos também foram recuperados. Da família dos siris, há restos que podem pertencer aos gêneros “Callinectes”, “Arenaeus” ou “Portunus”. Foi possível identificar a presença do guaimum (“Cardisoma guanhumi”), do caranguejo uçá (“Ucides cordatus”) e de guaiá-açu (“Menippe nodifrons”). As investigações no sítio arqueológico revelaram grande quantidade de carapaças calcárias e espinhos de ouriço do mar, até hoje muito comuns nas pedras da ilha de Santana.
Quanto aos moluscos, sua importância para a alimentação da comunidade humana insular é digna de registro. Há restos de conchas e caramujos marinhos, terrestres e de água doce correspondentes a 33 espécies, a 30 gêneros e a 20 famílias, em sua esmagadora maioria pertencentes aos ambientes da ilha.
De todos os invertebrados, o que mais impressionou os viajantes foi a “Tunga penetrans”, popularmente conhecido como bicho-de-pé. Quase todos os naturalistas estrangeiros sentiram a sua presença na carne. O príncipe Maximiliano, com seu proverbial senso de observação, não se deixou abalar mesmo atacado pelo inoportuno animal. Resignadamente, Saint-Hilaire lamentou que “Desde o começo dessa viagem não havíamos cessado, eu e meus empregados de ser atormentados pelos bichos de pé...” Burmeister também não escapou do ataque do ectoparasita. A tungíase, parasitose causada pela “Tunga penetrans”, era uma endemia de tal forma generalizada no campo e na cidade durante os períodos colonial e imperial que os habitantes do país já haviam se acostumado com ele no seu cotidiano. Eis porque os registros acerca dela geralmente competiam aos estrangeiros, que se assustavam com seu ataque.
Só se soube que o padre Pedro Marques Durão, de São João da Barra, fora acometido pelo mal porque o denunciaram por celebrar missa de chinelo.
A biodiversidade faunística (II)
O capitão Manoel Martins do Couto Reis, no século 18, registrou os gafanhotos, as borboletas, as mutucas, insetos de inúmeras formas, pinturas e pequenez que “surpreendem a nossa admiração”. Enumerava ainda as abelhas nativas jataí, guarupu, mandaçaia, mumbuca, irata, e vorá.
Maxi-miliano de Wied-Neuwied registrou o vagalume e, numa densa floresta à margem do rio Paraíba do Sul entre Campos e São Fidélis, maravilharam-no a multidão de insetos luminosos e o canto de grandes cigarras ouvido a extraordinárias distâncias.
Auguste de Saint-Hilaire foi atormentado por mosquitos e percevejos. No entanto, quem mais se dedicou a descrever invertebrados foi Hermann Burmeister, que caçava borboletas nas matas do Rio Pomba. Menciona escaravelhos e cigarras. É com vagar que fala de borboletas como “Morpho menelaus” (“M. Nestor”), “Morpho adonis”, já considerada rara na época, “Peridromia amphinome” e a completamente nova “Peridromia arethusa”; “Heliconius phyl-lis” e “H. sara”, borboletas que vivem unicamente na mata virgem e escura; já a “H. Thales”, nota o autor, gosta de lugares abertos; o naturalista fica surpreso de encontrar como testemunho inequívoco da região tropical americana a “Vanessa huntera”, parente próxima da européia “V. cardui”; o gênero “Heliconius”, aos olhos do zoólogo, parece ser o mais comum, bastante freqüente no Rio de Janeiro e perto da Lagoa Santa. Foi subindo o Rio Pomba que ele viu pela primeira vez, na sua excursão, ninhos de térmitas, dedicando-lhes uma página inteira. Afirma categórico que todo negro e muitos mulatos têm piolho. Esclarece que nos brancos também não é muito raro encontrá-los. Outro grupo de invertebrados que atormentava a vida do estrangeiro era o dos mosquitos, se bem que Burmeister assegurasse que estes insetos picadores não eram mais freqüentes no Brasil que na Europa, incorrendo em erro quem pensasse que os insetos causam mais incômodos e moléstias nas zonas tropicais que nas temperadas. Aponta como mais comuns espécies dos gêneros “Culex”, “Anopheles” e “Simulium”. Quanto às moscas, identificou uma do gênero “Stomoxys” como a mais conhecida, embora não soubesse distingui-la com exatidão da “Stomoxys calcitrans” européia. Anotou ainda os gêneros “Chrysops” e “Tabanus”, mais encontradas nas matas, atacando de preferência os animais que o ser humano. Seu cavalo foi assustado pela grande “Pangonia lingens Wied”. Burmeister, todavia, concordava com a população local que a mosca mais danosa era a transmissora do berne, pertencente ao gênero “Tripoderma” (“Cuterebra”), até aquela época, ao que parece, não descrita. Artrópodes, mas não insetos, os carrapatos merecem considerável atenção dele, pois trata-se de “outra praga da qual nenhum viajante consegue livrar-se.” Embora existam carrapatos na Europa, o naturalista alemão esclarece que, lá, eles não se encontram em tão grande quantidade como no Brasil, onde “desaparecem na estação úmida e voltam no outono, quando termina a época das chuvas.” Atacando seres humanos e animais, o carrapato provoca grandes incômodos.
Antes de chegar à Aldeia da Pedra (Itaocara), o naturalista alemão observou abelhas nativas, como a “Trigona amalthea”. “Todas as abelhas selvagens produtoras de mel são, quanto eu saiba, de origem americana e ‘Trigonas’, cujas várias espécies os brasileiros conhecem, dando-lhes diferentes nomes.” Ainda entre os invertebrados, Burmeister se impressionou com uma enorme minhoca que encontrou quando seguia para a aldeia de Santa Rita da Meia Pataca. Na sua descrição, contava ela com a grossura de um dedo e mais de um pé de comprimento. Ele deparou ainda com outras mais, porém não pôde trazer nenhuma, pois que se deterioravam no álcool fraco de que dispunha. Talvez tenha ele sido apresentado ao minho-cuçu (“Rhinodrilus alatus”? “Rhinodrilus fafner”?), verme capaz de cavar galerias em concreto armado e que é dado por extinto. Dando um salto no tempo, menciono os levantamentos de Norma Crud, que chama a atenção para as ameaças sofridas pelos moluscos “Cochlorina navicula”, “Auris bilabiata melanostoma”, “Strep- taxis contusus”, “Megalobulimus ovatus”, “Solaropsis sp”., “Parides ascanius” e o gongolo “Rhinocricus padbergi”. Os levantamentos atuais de invertebrados nas regiões norte e noroeste do Estado do Rio de Janeiro são pífios. Eis por que pleiteio, junto aos órgãos governamentais licenciadores de grandes empreendimentos, que eles desenvolvam programas de varredura de biodiversidade, ao menos de organismos pluricelulares.
A biodiversidade faunística - peixes (III)
A o longo da história dos peixes, formaram-se quatro classes: os peixes sem mandíbula (agnatos), os peixes com carapaça (placodermos), os peixes cartilaginosos (condrictes) e os peixes ósseos (osteíctes) A classe dos placodermos foi extinta pela própria natureza, antes da constituição dos hominídeos. Investigações arqueológicas efetuadas no norte-noroeste fluminense revelam que a ictiofauna consistiu numa fonte privilegiada de alimentos para os povos indígenas. A empreendida na ilha maior do arquipélago de Santana, em frente à foz do rio Macaé, acusou a existência, dentre outras espécies, do cação-martelo (Sphyrna sp), das raias, das quais foi identificada a espécie raia-chita ou raia-pintada (Aetobatus narinari) e encontradas peças cartilaginosas pertencentes ao gênero Myliobatis ou Rhinoptera. Os habitantes indígenas da ilha recorriam principalmente aos abundantes bagres, destacando-se o bagre-bandeira (Bagre bagre) e o voador (Dactylo-pterus voltans). Talvez, por este motivo, o Rio Macaé tenha sido denominado pelos primeiros europeus de Rio dos Bagres. Foram encontrados também restos dos gêneros Epinephelus, possivelmente pertencentes a garoupas, meros e chernes, e do Mycteroperca, quiçá associado a badejos. No material desenterrado, havia ossos de enchova (Pomatomus saltatrix), de xaréu (Carans sp), do gênero Selene (peixe-galo), de coco-roca (Haemulon sp), de sargo-de-dente (Archosargus probatocephalus), de marimbá (Diplodus argenteus), de corvi-na (Micropogonias furnieri), de pirangica (Kipho-sus secta-trix), de enxada (Chaetodipterus faber), de budiões (gêneros Scarus e Sparisoma), de cangulo (Balistes vetula) e do gênero Mugil (tainha). No entanto, o prato predileto dos primitivos habitantes da ilha eram os baiacus, dos quais foram reconhecidos restos do baiacu-arara, (Lagocephalus laevigatus) e do baiacu-de-espinho (Diodon hystrix). Peixes extremamente venenosos por sintetizarem uma toxina só encontrada nos tetradontídeos e na família Salamandridae, da classe dos anfíbios, se ingeridos sem os devidos cuidados na sua preparação, podem causar a morte em 30 minutos. Ao desembarcarem pela primeira vez nas terras que conseguiram como sesmarias (1632), os sete capitães ficaram “pasmos de ver semelhantes grandezas de peixes em terra.” Na segunda viagem (1633), voltam a se surpreender com a abundância de peixes de água doce que os nativos lhes ofereciam com hospitalidade. Numa determinada lagoa, conta o Roteiro, os indígenas dispuseram-se a pescar usando redes que teciam com uma planta seca ao sol e torcidas nas pernas ou nas palmas das mãos. Tudo indica tratar-se da tabua (Typha domingensis). Duas horas depois, vieram carregados de peixes de várias espécies, predominando a piabanha, que acabou se transformando no nome de batismo da lagoa. O primeiro documento a nos fornecer uma relação relativamente pormenorizada sobre a ictiofauna da região é a Descrição de Couto Reis (1785). “Encontram-se – anota ele – peixes de várias qualidades tanto do mar como de água doce, e alguns de um sabor admirável.” Entre os peixes do mar, o capitão aponta o robalo (o de melhor sabor, sobretudo o do Furado e da Lagoa Feia), o bagre, a tainha, a cruvina (corvina) e a carapeva (carapeba). Entre os de água doce, inclui a piabanha, o piau, excelentes, o coromatan (crumatã, curumatã ou corimbatá), taraíra (traíra), jundiá, duiá, taiabucu, alambariz (lambari), todos com muita espinha e semelhantes ao bagre. Nas quedas d’água, vivem surubins de duas espécies. Fala ainda da piracanjuba e do dourado. Estranha-se a existência deste último no século 18, nos ecossistemas de água doce da região, pois que, nativo de outras bacias, só foi introduzido na bacia do Paraíba do Sul nos séculos 19 e 20, em duas tentativas frustradas e numa bem sucedida. Das duas uma: ou o dourado foi introduzido em época anterior ao que normalmente se julga ou nomeava-se alguma espécie nativa com este nome. Como, porém, todas as espécies relacionadas por Couto Reis continuam sendo encontradas ainda hoje, embora em escala bem mais reduzida, é de se supor que o dourado tenha sido trans-locado para o norte-noroeste fluminense em período anterior ao comumente admitido. Nenhum dos naturalistas que percorreu o norte-noroeste fluminense, no século 19, dedicava-se mais particularmente ao estudo da ictiofauna. Eis porque, talvez, não encontremos nenhuma menção a peixes, quanto à referida região, em Maximiliano de Wied-Neuwied, Saint-Hilaire, Burmeister e Tschudi. Os memorialistas brasileiros é que se referem aos peixes de modo bastante informal. Nos escritos de Aires de Casal (1817), José Carneiro da Silva (1819), Pizarro e Araujo (1822), Muniz de Souza (1834) e Teixeira de Mello (1886), fala-se em robalo, tainha, piaba-nha, piau, crumatã, surubins corvina, acará, traíra, bagres, jundiá, cachimbau, piaba, manjuba, ticopá, duiá, moro-bá, urutum, sairu e muçum. Os ecossistemas mais pródigos em peixes, além do mar, eram as Lagoas Feia (sempre em primeiro lugar) e a de Cima, o Rio Paraíba do Sul e vários brejos, na verdade, o incontável número de lagoas. No seu primeiro trabalho mais longo (1934), Lamego exalta o robalo da Lagoa Feia, a traíra da Lagoa do Campelo, a corvina da Lagoa de Cima e o piau do Rio Paraíba do Sul.
Fonte: Jornal Folha da Manhã - Complexus.
A biodiversidade faunística (IV)
Poucas referências há sobre anfíbios e répteis no norte-noroeste fluminense. Sob a rubrica geral de insetos, Manoel Martins do Couto Reis incluiu sapos variados, conferindo relevância às intanhas, segundo ele, de grandes dimensões e de inexplicável veneno, capazes de engolir pequenos frangos, pelo que ouviu dizer. Ao atravessar densa floresta, quando fez o percurso de Campos a São Fidélis, Maximiliano de Wied-Neuwied impressionou-se com “a estranha toada de um exército de rãs [que] ressoava nas trevas noturnas da brenha solitária.” Os répteis encontram-se mais presentes, tanto na alimentação dos povos nativos e exóticos quanto nos registros humanos. Sobre a ordem reptiliana dos “Squamata”, ossos recuperados na ilha maior do arquipélago de Santana por pesquisa arqueológica revelam que seus habitantes pré-cabralinos usaram o lagarto teiú (“Tupinambis teguixin”) como alimento, ao que parece bastante encontrado na ilha, a julgar pelo número de fêmures desenterrados (59 ao todo). Até hoje, o maior dos lagartos brasileiros é considerado um pitéu entre os habitantes rurais, principalmente pela cauda carnuda. Dentre as muitíssimas espécies de lagartos apontados por Couto Reis, deveria ele estar incluso. Encaminhando-se para o Espírito Santo, Maximiliano encontrou caçadores escuros e totalmente nus, que o príncipe confundiu com indígenas, carregando dois exemplares mortos deste réptil. É ainda o nobre naturalista alemão que encontra, na região, a lagartixa de coleira preta (“Tropidurus torquatus torquatus”), no comentário de Olivério Pinto, “...mais um exemplo das inúmeras descobertas zoológicas de Wied, que dele nos dá uma bela estampa em suas Abbildungen.” Subindo o rio Muriaé, Antonio Muniz de Souza registrou, entre a abundante “caça”, muitos lagartos. Hermann Burmeister topou, na sua excursão científica ao noroeste fluminense, com um sáurio popularmente conhecido por taraguira, calango ou lagartinho, ao que tudo indica a mesma espécie identificada por Wied, e com um lagarto ápode (“Pygopus striatus”). Em sua obra mais conhecida, Teixeira de Mello faz também menção ao lagarto. Da ordem “Squamata”, as cobras chamaram a atenção de todos por sua fama de peçonhentas e mesmo pelo significado simbólico que tem a serpente no imaginário judaico-cristão. Couto Reis enumera, ainda sob a designação de insetos, a jibóia, a morubá, a cobra d’água, a cipó, a cobra de bosta e a caninana, mansas e menos venenosas; a surucucu, a jararaca e a coral, muito ferozes e peçonhentas. Uma cobra cipó verde (“Chironius carinatus”) cruzou velozmente o caminho de Maximiliano. Encontrou ainda um único exemplar de muçurana em toda sua viagem, também conhecida por cobra preta, boiru ou limpa mato, denominada por ele de “Colomber plumbeus”, hoje “Pseudoboa cloelia”. Na sua excursão no rio Muriaé, Muniz de Souza informou sobre a existência de muitas cobras. Além da jibóia, da surucucu e da coral, José Carneiro da Silva acrescenta a jararacuçu, a uruçanga e a dorminhoca. No que concerne à ordem dos quelônios, tão bem representada na ecorregião, há uma lacuna por demais acentuada na literatura dos viajantes e memorialistas. No século passado, encontra-se apenas uma referência genérica ao cágado em Teixeira de Mello. Só bem recentemente os cientistas voltaram seus olhos para ela. Foram identificadas placas ósseas provavelmente da tartaruga marinha “Chelonia mydas”, popularmente conhecida por tartaruga verde, no sítio arqueológico de Santana. Esta espécie, juntamente com a tartaruga cabeçuda (“Caretta caretta”) e com a tartaruga de couro (“Dermochelys coriacea”), tem, no litoral norte-fluminense, um dos seus pontos de postura. Entretanto, o mais famoso réptil da região é o jacaré-de-papo-amarelo ou ururau, único representante da ordem “Crocodilia” no norte-noroeste fluminense. O rio Ururaí foi batizado por ele. Algumas lagoas, cursos d’água e localidades indicam sua existência pretérita ou atual, e a lenda do Ururau da Lapa é conhecidíssima em Campos. Dele fala Couto Reis, exclamando que “são em tanto número, como não poderá haver mais em outra parte do mundo.” A melhor descrição do animal é feita por Maximiliano, quando navegava o Rio Paraíba no trecho Campos-São João da Barra. Entrando na região pela extremidade oeste, Burmeister encontrou o jacaré-de-papo-amarelo na zona cristalina, em local bem afastado da planície fluviomarinha. A grande atração, agora, é o lagarto “Cnemidophorus litorallis”, da família Teiidea, que, pos si só, justifica a criação de uma Unidade de Conservação de Proteção Integral no trecho da restinga de Gruçaí.
Fonte: Jornal Folha da Manhã - Complexus
Publicada no dia 21-09-2008
A biodiversidade faunística (V) - Aves
Em se tratando da região norte-noroeste do Estado do Rio de Janeiro, as informações legadas pelos estudiosos e curiosos sobre a avifauna são mais fartas do que as relativas aos mamíferos. Nas pesquisas arqueológicas efetuadas na ilha de Santana, em Macaé, constatou-se que as aves representavam um item considerável na alimentação da comunidade nativa que ali viveu por muito tempo durante o século 8º d.C. Foram encontrados ossos de exemplares da família dos procelarídeos, aves oceânicas que, por um fenômeno ainda não compreendido pelos especialistas, com freqüência, morrem de exaustão nas praias. Verificou-se também a presença do atobá ou mergulhão (“Sula leucogaster leucogas-ter”), até hoje nidificando na ilha; da tesoura ou alcatraz (“Fregata magnificens”), da saracura ou trêspotes (“Aramides cajanea”), talvez do trintaréis (família “Laridae”), da juriti (“Leptotila rufaxila” ou “Leptotila verrauxi”) e possivelmente do pichorolé (ordem “Passeriformes”). O Roteiro dos Sete Capitães, do século 17, por mais de uma vez, fala da variedade e da riqueza de aves encontradas na planície goitacá. Manoel Mar-tins do Couto Reis, num discurso deslumbrado, diz que “As aves por suas diversas qualidades, e beleza, fazem um objeto maravilhoso, capaz de entreter por largos tempos a contemplação dos mais curiosos, e inteligentes naturalistas. Umas são próprias do país; e outras que de tempos, em tempos, descem de partes mais remotas a se apresentarem nele.” O cartógrafo está se referindo, sem dúvida, às aves nativas, várias das quais endêmicas, e as migratórias. Escusando-se por não dispor de elementos para uma descrição pormenorizada, o capitão aventa a seguinte classificação: 1- “aves de maior grandeza e vôo”, agrupando, sob este título, o mutum, já considerado raro à época; a inhuma, com um ferrão na cabeça capaz de identificar frutos e águas venenosas e de provocar feridas graves, segundo a tradição, além de dois nas pontas das asas; o urubutinga ou corvo branco, vulgarmente chamado de urubu-rei, vivendo mais nos sertões afastados; o jacu, dividido em jacutinga, jacuguaçu e jacupema ou jacu-caca; os gaviões de diversas cores e tamanhos, alguns capazes de dilacerar macacos ou de capturar patos em pleno vôo para seu repasto. 2- “aves de mediana grandeza”: entre elas, o pavó, que entoa roncos surdos em vez de canto; os tucanos de duas espécies, ambos com grande bico e plumagem que lhes conferem admirável beleza, emitindo voz rouca e triste; a araponga, cujo canto se assemelha às marteladas do ferrador e pode ser ouvido a distâncias avultadas; os pica-paus, com seus belos topetes, dividindo-se em três espécies; as oito espécies de pombas, algumas delicadíssimas; os araçaris, divididos em duas espécies, com cores que não agradaram nosso observador; o bacurau, o urutau e a coruja, de duas qualidades, são aves noturnas, com belas penas mas algumas com gritos altos e tão tristonhos que assombram, por isso mesmo supondo-se produzidos pelo eco. 3- “aves da mesma classe, porém do bico redondo, e com propriedade de falar o que se lhes ensina, e ouvem”: a arara, um papagaio grande e de plumagem vistosa; o anacam, uma arara de menores proporções; o juruaçu, a camutanga, o jurueu e a curica, todos papagaios, mas de espécies diversas e com vozes distintas; as maitacas, divididas em duas espécies, com diferenças no falar; o maracanã e a nandaia, também de duas qualidades; o sabiácica, de canto estimável posto que triste; os periquitos, com penas de vivo verde, entre claro e escuro; a camiranga, maior que o periquito; a tiriba, menor que o periquito; observa o autor que todas estas aves andam em bando e causam muitos prejuízos à lavoura, principalmente à de milho, ao passo que a carne dos papagaios é saborosíssima, principalmente guisada com arroz. 4- “passarinhos de canto agradável”: os sabiás, de três espécies não pela diferença de tamanho, mas pelo colorido das penas e pelo canto; os encontros, de penas azul-escuro e com mancha amarela muito viva na junção das asas com o corpo; o sanhaçu, de duas espécies, não é apropriado para a gaiola; os gaturamos, de duas espécies, cantando uma galantemente e outra um tanto rouca; os bicudos, os canários, as coleiras e os purumarãs de suavíssimo canto; acrescenta ainda o relator a esta lista o carajuá, cujo canto um escritor teria comparado ao de um anjo, observando, porém, que “... neste país, é bem para admirar, que nunca se ouvissem dar uma só voz, havendo imensos, quando descem dos sertões.” A classificação de Couto Reis continua com mais três grupos. Vale a pena completá-la num próximo artigo, dada a contribuição que este autor trouxe ao conhecimento da fauna da região no século 18.
Fonte: Folha da Manhã - complexus Publicada no dia 05-10-2008
A biodiversidade faunística (VI) - Aves
Aristides Soffiati Dando continuidade ao artigo da semana passada, completamos a classificação que o capitão de infantaria e cartógrafo Manoel Martins do Couto Reis deixou em seu célebre relatório de 1783: 5- “aves rasteiras, isto é, que pisam sobre a terra, não se servindo das asas senão para ajudar a carreira, quando são obrigadas, ou para treparem no poleiro, ou passarem algum estreito rio ou lago”: o macuco, maior que uma perdiz e com carne mais delicada que a desta; o juó, de duas espécies e com a carne e os ovos de qualidade igual à do macuco; o nambu, o xororó e a capoeira, com carne de sabor semelhante; as saracuras, cujo canto anuncia mudança de tempo para melhor ou para pior. 6- “aves dos campos, brejos, lagos ou rios”: a codorniz, muito perseguida pelas aves de rapina por viverem em campos desprotegidos, ocorrem mais nos campos de Jagoroaba (Restinga de Jurubatiba), onde as ervas são mais altas; taiuiú, raríssimo no Distrito, aparece pouco e por acaso, sendo, depois da ema, a maior ave do Brasil; o tabuiaiá, menor que a anterior e de excelente carne; o manguari, bastante parecido no tamanho com o precedente; o jaburu, de porte semelhante ao da cegonha, porém mais triste; as garças, divididas em três espécies, não têm carne própria para o consumo; a colhereira, de curioso bico em formato de colher; o carão, de duas espécies, tem o bico algo curvo, com uma delas de carne saborosa; o maçarico, dividido em oito espécies, com carne comestível; os frangos d’água, com duas espécies distintas, uma delas linda, dão bom prato; há ainda o ati, inumeráveis piaçocas e o quero-quero. 7- “aves aquáticas de pés natatórios”: os patos, que só se diferenciam dos domésticos quando velhos; as marrecas compreendem a patinha, o irerê, o xenquem, o queixo-branco, o pé-vermelho (segundo o autor a mais galante de todas) e outras que não enumera; os gansos chamados do mar, singulares pelo brilho das penas, contam com alguns raríssimos que só por acaso aparecem. Numa observação à parte, Couto Reis tece loas aos urubus, de duas espécies consoante seu registro, pelo serviço que prestam à higiene. Em suas palavras, “A incompreensível, e inescrutável sabedoria da Providência até na multiplicidade destas aves beneficiou este clima extinguindo por aquela via as podridões que se geram de tantos animais e insetos mortos pelas violências das cheias, das vazantes e outras causas; que o fariam sem tão pronto socorro, muito mais pestífero.” Como se vê, Couto Reis valeu-se de características múltiplas para compor a sua classificação, tais como anatomia, dimensão, faculdades, ambiente etc., classificação à qual não falta um traço utilitarista. Embora seja a mais completa descrição de que dispomos, até o século 18, para a região norte-noroeste fluminense, quiçá a única, não nos é possível, por ela, identificar todas as aves enumeradas, ainda mais porque não nos legou o militar nenhum desenho, como fizeram os naturalistas holandeses que visitaram o nordeste brasileiro no século 17, também eles se movimentando num universo pré-lineano. Seria muito, de qualquer forma, exigir do topógrafo minúcias que escapavam à sua formação. Esta lacuna será suprida pelo maior ornitólogo que passou por terras norte-noroeste fluminenses: Maximiliano de Wied-Neuwied. Além de sua famosa “Viagem ao Brasil”, legou-nos ainda “Abbildungen zur Naturgeschichte Brasiliens” (Weimar, 1823-1831), série de estampas coloridas retratando animais que coletou em sua excursão científica, e os monumentais “Beiträge zur Naturgeschichte von Brasilien”, em quatro volumes (Weimar, 1825, 1826, 1830, 1831, 1832 e 1833), tratando tecnicamente de anfíbios, répteis, aves e mamíferos. Este naturalista merecerá atenção especial quando voltarmos ao assunto.
A biodiversidade faunística (VII) - Aves
Maximiliano de Wied-Neuwied, naturalista alemão que fez uma excursão científica do Rio de Janeiro a Salvador, entre 1815 e 1817, registrou, em sua “Viagem ao Brasil”, uma infinidade de aves. Elas aparecem aqui em ordem de entrada, acompanhadas com as observações que se tornarem necessárias. No trecho de Cabo-Frio à Vi-la de São Salvador dos Campos dos Goitacás, o príncipe naturalista encontrou o chochi (saci ou sem-fim, “Tapera naevia”), bacuraus (conhecidos no sul do Brasil por curiango), o milhano preto e branco (o belo gavião-tesoura, “Elanoides forficatus”), uma enorme quantidade de urubus dividindo os despojos de um animal morto com um cão, sem se preocuparem com a presença da caravana de Wied, grandes bandos de maracanãs e periquitos, tucanos e o gavião cor de chumbo (o popular gavião pomba ou so-vi, “Ictinia plumbea”), hoje raro na região. Nas margens da Lagoa Pau-lista, foram avistados grupos do papa-ostras brasileiro (chamado vulgarmente de baiagu ou piru-piru, “Haematopus palliatus”), o caburé (“Glau-cidium brasilianum”) e o sabiá-da-praia (“Mimus ante-lius”). Mais adiante, topou o ornitólogo com maçaricos quero-quero, garças, gaivotas, andorinhas-do-mar e mar-recas. Na lagoa de Ubatuba, foi possível caçar o ibis de faces peladas e cor de carne (“Phimosus infuscatus nudri-frons”), uma nova espécie de milharfe (segundo Olivério Pinto, já identificada anteriormente como o conhecido caracara ou gavião do mangue, “Circus brasiliensis”) e um gavião classificado atualmente pelo nome de “Busarellus nigricollis”, além de se localizar um ninho, com os ovos, de bem-te-vi (“Pitangus sulphuratus”), em forma de forno, fechado em cima. Ao norte da lagoa de Ubatuba, onde a planície abrigava uma miríade de extensas lagoas, Maximiliano viu, pela primeira vez, o colhereiro (“Ajaia aja-ja”), que inutilmente os caçadores tentaram abater para a coleção do naturalista; novamente garças, patos, maçaricos e biguás. Também o tapicuru, nome comum aos ibídidas de cor preta brasileiros. A anhinga (também biguá-tinga, carará, miuá etc., “Anhinga anhinga”) foi perseguida em vão por Wied, que só capturou exemplares dela mais tarde. Além da Barra do Furado, de novo são vistos maçaricos, batuíras e baiagus alimentando-se de crustáceos, vermes e moluscos, como também uma espantosa multidão de marrecos e aves palustres, dentre as quais “Nettion brasiliense”, a espécie mais comum de pato em todas as regiões visitadas por Maximiliano, observação confirmada por Olivério Pinto. Ainda nas cercanias da lagoa Feia, foram capturados o ibis de cara vermelha, ou carão (“Phimosus infuscatus nudifrons”), e o caracará (“Polyborus plancus plancus”). Foi no rio Bragança, um dos defluentes da lagoa Feia, que Wied obteve o único exemplar do socozinho vermelho (“Ixobrychus exilis eryth-romelas”) em toda a sua viagem. Avançando pelas imensas planícies aluviais, em direção à vila de Campos, o grupo encontrou uma espécie de inambu correspondente à codorna (“Nothura maculosa”). Uma vez em Campos, os olhares de Maximiliano convergiram para a cidade, sua sociedade e sua economia. É preciso esperar que ele se ponha em marcha a caminho de São Fidélis para que as aves retornem ao seu diário de viagem. Logo encontrou o anum preto, na época com o nome científico de “Crotophaga ani”, Linn, e o cuco pintado (“Cuculus guira”, Linn.). Fala do anum branco, esclarecendo que descera havia pouco tempo dos planaltos de Minas Gerais para as baixadas costeiras e que, por isto, era ainda pouco conhecido na região. Nos ramos de uma figueira, descobre o curioso ninho do bico-chato, na verdade, o tirri ou relógio ou teque-teque (“Todirostrum poliocepha-lum”), como ensina Olivério Pinto. Numa densa floresta de légua e meia, estendendo-se da margem do Rio Paraíba do Sul até São Fidélis, ouviu o grito dos curiangos. Entre os puris das imediações de São Fidélis, notou que suas flechas eram enfeitadas na extremidade inferior com penas de mutum ou de jacutinga. Em nota de rodapé, Olivério Pinto explica que o nobre naturalista confundiu o “Crax alector”, espécie peculiar à região amazônico-guianense, com o mutum de bico vermelho, “Crax blumenbachii” Spix, típica da mata costeira do Brasil médio-oriental. De retorno a Campos pela margem esquerda do Paraíba, passou por uma ilhota com algumas árvores repletas de ninhos de guache (“Cassicus haemorrhous”), em forma de saco. No próximo artigo, vamos acompanhar as observações de Wied-Neuwied até sua travessia no Rio Itabapoana, entrando no Espírito Santo.
A biodiversidade fauniística (X) - Aves
Até as chuvas de novembro de 2008, eu vinha escrevendo uma série de artigos sobre a biodiversidade faunística das regiões Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro. As cheias, porém, criaram uma turbulência muito grande e levaram-me a tratar de assuntos emergenciais na minha coluna. Retomo, agora, o tema que eu vinha desenvolvendo com bastante serenidade. Os memorialistas do Norte Fluminense, no século XIX, não se saíram muito bem como naturalistas, nem mesmo o arguto Antonio Muniz de Souza. José Carneiro da Silva enumera, entre as aves, apenas o tuiuiú, a colhereira, o carajuá, o beija-flor, o mutum, o urubutinga. Por ser o tuiuiú a maior ave encontrada na região, meteu-se o futuro visconde a descrevê-lo, encontrando para um exemplar 11 palmos da ponta de uma asa à outra e sete palmos e meio da ponta dos pés até o bico, que, por si só, contava com um palmo e quatro dedos. Todo branco, tem o pescoço e a cabeça pretas. Como de hábito, segue-lhe os passos monsenhor José de Souza Azevedo Pizarro e Araujo. Visitando a lagoa de Cima, Muniz de Souza fica fascinado com as "... lindas aves, que, com seus variados cantos, desafiam as mais doces emoções! (...) Pássaros matizados de lindas cores fecham este encantador quadro: tucanos, araçaris, diversas espécies de sabiás, melros, saís de inumeráveis variedades, gaturamos, juós, jacutingas são constantes habitadores de suas florestas: outros há de arribação, como papagaios, periquitos, encontros, etc." Neste mesmo diapasão, José Alexandre Teixeira de Mello presta um depoimento comovido sobre as aves: "Uma vez, descia eu de madrugada, em canoa, pelo Muriaé, com minha família. Ao passarmos pela fazenda da viscondessa de Muriaé, eu, que adormecera à toada monótona dos remos na canoa, desperto de repente e assisto a um espetáculo original e único de que fora testemunha em minha vida: na baixada cortada pelo rio, em uma e outra margem, creio que todas as aves canoras da região se haviam congregado para comemorarem talvez alguma data gloriosa ou triste entre elas, por um concerto vocal matutino, a que a tecnologia estrangeira denomina matinée musicale, era admirável a harmonia daquele conjunto de mil vozes, regidas por batuta invisível, tão maravilhosamente se combinavam os cantos em uma ópera fantástica que nenhum Mayer-beer, nenhum Carlos Gomes, nenhum Wagner comporá jamais. Como que todas as aves canoras da região estavam ali representadas no que tinham de mais melodioso. Foi um espetáculo sublime que na ocasião nos pareceu sobrenatural, desvanecendo-se rápido como um sonho, mas deixou-me a mais grata e duradoura impressão." Despertando do arrebatamento, o autor arrola, como aves silvestres encontradas no município de Campos, o mutum, a jacutinga, a capoeira, a araponga, o sanhaçu, o grumará (comedor de milho nas roças), o jacu, a jacupema, o juó, o macuco, o nhambu, a rola, a juriti, a arara, o papagaio, o periquito e suas variedades (maracanã, querequeté, maitaca, o periquito sem cauda), o anu preto e o anu branco, o pica-pau, o tico-tico, o guache, o araçaí, o tucano, as andorinhas, o bem-te-vi, o siriri, a cambaxirra, a colhereira, o irerê (chenquem, queixo-branco, pé-vermelho, do sertão), a pacaparra, a garça, o frango d’água, o socó, a piaçoca, a sericória, o quero-quero, o carão, a lavandeira, o maçarico, a viuvinha, o pato selvagem, o franganito, o gavião, o urubu, o urubu-rei, a coruja, o caburé, o noitibó (ou bacurau), os sabiás (sabiácica, do bardo, laranjeira, da praia), o canário, o melro, o encontro, o papa-capim, a coleira, o avinhado, o gaturamo, o bico de lacre, o vira-bosta, o sanhaçu do coqueiro, o bicudo, o cabo-clinho, os tigês ou tiês (um azul e outro berne), os beija-flores, os saís, as codornas e os perdizes. Nada mais que repetição de autores que o antecederam. Nada menos que a continuação do gênero memorialístico. Agora, chegou a vez dos mamíferos.

SÃO JOÃO DA BARRA TEM PARTICIPAÇÃO ESPECIAL NOS ROYALTIES BEM OTIMISTA

DEU NO BLOG DO RADIALISTA PAULO NOEL...
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) constatou um aumento de 32,8% na arrecadação da Participação Especial (PE), na comparação entre o primeiro e o segundo trimestres de 2008.
O total recolhido pela Petrobras, proveniente de 21 áreas de produção de petróleo e gás natural, a ser distribuído entre União, Estados e Municípios, passou de cerca de R$ 2,48 bilhões para R$ 3,29 bilhões. Alguns municípios obtiveram aumento de mais de 100% na arrecadação do trimestre, enquanto os capixabas Aracruz (R$ 412,18 mil), Fundão (R$ 68,29 mil), Serra (R$ 173,84 mil), Vitória (R$ 15,01 mil) e Linhares (R$ 516,60 mil) passam a receber PE pela primeira vez por apresentarem confrontação com os campos de Golfinho e Peroá, ambos localizados na Bacia do Espírito Santo.
Os principais municípios beneficiados na comparação entre os dois períodos foram São João da Barra (RJ), cujo repasse passou de R$ 9,69 milhões para R$ 22,03 milhões (127,2%); Presidente Kennedy (ES), com aumento de R$ 5,47 milhões para R$ 11,31 milhões (106,6%); Campos dos Goytacazes (RJ), de R$ 130,65 milhões para R$ 174,48 milhões (33,5%); Macaé (RJ), de R$ 21,90 milhões para R$ 28,43 milhões (29,8%) e Rio das Ostras (RJ), de R$ 40,56 milhões para R$ 50,70 milhões (25%).Os municípios de São João da Barra e Presidente Kennedy recebem PE por serem confrontantes com o campo de Roncador.
Já os municípios de Macaé e Rio das Ostras são contemplados com o pagamento desta participação governamental por serem confrontantes com o campo de Marlim. O município de Campos dos Goytacazes recebe PE dos campos de Marlim e Roncador, por ser confrontante com as duas áreas produtoras.
O repasse para o governo do Estado do Espírito Santo teve aumento de 110% na comparação entre os períodos, passando de R$ 25,32 milhões para R$ 53,27 milhões, em conseqüência principalmente do aumento na arrecadação do campo de Roncador, localizado na Bacia de Campos.
Os principais motivos para o aumento da arrecadação foram o aumento da produção dos campos que levaram ao pagamento desta participação governamental (25,5%), assim como a elevação dos preços de referência do petróleo, em torno de 21%O campo de Pampo (Bacia de Campos), que havia interrompido o pagamento da PE no primeiro trimestre deste ano, em virtude da produção encontrar-se no patamar de isenção de alíquota efetiva, voltou a recolher a compensação financeira no segundo trimestre, contribuindo com R$ 1,28 milhão para o aumento da arrecadação.
O que é a Participação Especial ?
A Participação Especial (PE), diferente dos royalties, é uma compensação financeira extraordinária devida pelos concessionários de campos produtores, em casos de grande volume de produção ou de grande rentabilidade. É paga trimestralmente, em relação a cada campo produtor, enquanto os royalties têm repasse mensal.
A PE está prevista no inciso III do artigo 45 da Lei 9.478/97 (Lei do Petróleo) e é distribuída segundo critérios estabelecidos no Decreto 2.705/98. Quarenta por cento (40%) dos recursos da participação especial são transferidos ao Ministério de Minas e Energia, dos quais 70% são destinados ao financiamento de estudos e serviços de geologia e geofísica aplicados à prospecção de combustíveis fósseis, promovidos pela ANP e pelo MME; 15% para o custeio dos estudos de planejamento da expansão do sistema energético; e 15% para o financiamento de estudos, pesquisas, projetos, atividades e serviços de levantamentos geológicos básicos no território nacional.
Dos recursos restantes da participação especial, 10% são destinados ao Ministério do Meio Ambiente; 40% aos Estados produtores ou confrontantes com a plataforma continental onde ocorrer a produção; e 10% aos Municípios produtores ou confrontantes.Para efeito de apuração da participação especial sobre a produção de petróleo e de gás natural são aplicadas alíquotas progressivas sobre a receita líquida da produção trimestral de cada campo, consideradas as deduções previstas no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.478/1997, de acordo com a localização da lavra, o número de anos de produção e o respectivo volume de produção trimestral fiscalizada.
(Fonte ANP)

sábado, 23 de agosto de 2008

CAJUEIRO ABRIGA ARTISTA PLÁSTICO DE RENOME

CARLOS GASPAR - O ESPECIALISTA EM TEXTURAS E TRABALHOS ARTESANAIS DE SÃO JOÃO DA BARRA

MARCIA COUTINHO - ARTISTA PLÁSTICA SANJOANENSE E SUAS BELAS TELAS

BRUNO COSTA - UM SANJOANENSE HOMENAGEADO PELA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

SÃO JOÃO DA BARRA SERVE DE CENÁRIO PARA O QUINZE DE RAQUEL DE QUEIROZ

GRUPO NÓS NA RUA MANTÉM VIVA A TRADIÇÃO DO REISADO EM SÃO JOÃO DA BARRA

EDMAR FERREIRA - GRANDE MÚSICO, ATOR E INTÉRPRETE SANJOANENSE

WILSON DE OLIVEIRA - COLUNISTA SOCIAL - COMO ARTISTA PLÁSTICO

CHARLES HENRIQUE - UM SANJOANENSE MULTI-SHOW

AS PAISAGENS DE ACY LEAL, ARTISTA PLÁSTICO SANJOANENSE

AS OBRAS DE MALLET EM SÃO JOÃO DA BARRA



VISITE A CASA DE CULTURA ZENRIQUES EM SÃO JOÃO DA BARRA

Casa de Cultura Zenriques –história pura! A Casa de Cultura Zenriques, administrada por Carlos Sá, escritor, poeta e jornalista sanjoanense tem esse nome por causa de seu bisavô José Henriques. Localizada no sobrado de n.º155, na rua do Rosário, em São João da Barra, a casa de cultura pertence ao jornalista, que desde de 2000 vem se esforçando para transformá-la num ponto de resgate da história do município e região. Responsável pelo jornal mensal São João da Barra, é bisneto do jornalista José Henriques da Silva e criou a casa em homenagem ao português que veio para o Brasil só, aos 11 anos, e foi responsável pela criação de três jornais de importância na Região e por apoiar a cultura. Zenriques nasceu em Paços de Brandão, então distrito de Aveiro, Portugal, em 21 de março de 1855, filho de Thereza e Antônio Henriques da Silva. Em 1866 embarcou para o Brasil e permaneceu por um tempo no Rio. Em 1870, estava em São João da Barra. Aberta para visitação e pesquisa, a casa guarda relíquias. Curiosidades começam na entrada. Na frente da casa há a “Calçada da Fama”, de pessoas conhecidas na cidade. Uma antiga lamparina, uma peça de crochê de mais de 100 anos, antigos estribos para cavalos e peças como fotografia de Albert Einstein, no Brasil, no início do Século 20, com pesquisadores brasileiros, podem ser vistos na casa. Na sala de entrada percebem-se também uma estante com obras de escritores sanjoanenses, sofás confortáveis para uma boa prosa e ainda uma pedra-mó de engenho de cana-de-açúcar. É uma verdadeira viagem ao passado. Mapas do primeiro Plano Diretor da cidade, fotos de aventuras no manguezal do delta do Paraíba do Sul e documentos raríssimos são as relíquias que você pode ver na casa de Cultura Zenriques. Impar é a coleção de santos “São Francisco” que a Casa de Cultura Zenriques abriga. Carlos Sá costuma receber de amigos que viajam pelo Brasil uma série de São Francisco’s. Vale a pena conferir. Cada um tem um estilo próprio, desde o mais luxuoso ao mais simples, um é até feito em palito de fósforo, bem trabalhado. Os melhores encontros da Casa de Cultura Zenriques acontecem aos finais de semana na parte da manhã, onde homens de bem se reúnem para comentarem sobre as “estórias” e “causos” do município, que já chegou a ter 05 consulados estrangeiros, uma Capitania dos Portos da Época Imperial, além de um porto fluvial ativo com entrada de 70 navios mensais. As conversas vão desde futebol, economia, política até culinária local, além de trocas de sementes de árvores em extinção da região. Na Casa de Cultura pode-se pesquisar de tudo e isso faz a diferença. Vale a pena visitar a Casa de Cultura Zenriques (CCZ) e conhecer o jornalista Carlos Sá que também é membro correspondente da Academia Campista de Letras, um romancista e poeta de mão cheia!!! Por André Pinto. (Pesquisa Feita no Jornal Monitor Campista.)

CRUSTÁCEOS E MOLUSCOS DA COSTA LITORÂNEA SANJOANENSE

Ir á praia de manhã cedo ou á tardinha não só ajuda a evitar os danos provocados à pele pelos raios solares, mas também pode proporcionar uma visão interessante: é nesses horários que os bichinhos que vivem nas praias resolvem sair da areia para passear pela orla marítima. Crustáceos como o Siri branco (arenaeus cribarius), as duas espécies de corrupto (Neocallichirus mirim e Callichirus major) e de tatuí (Lepídopa richmondi e Emerita brasiliensis) , o tatuzinho (Excirolana armata), e os moluscos Sernambi (Donax hanleyanus) e Olivancilaria (Olivancillaria vesica) são alguns exemplos. Estas são as espécies mais freqüentes nas praias do Norte Fluminense, como Iquipari, Grussaí, Atafona e Açu, afirma o biólogo Ronaldo Novelli, amigo de André Pinto, dono deste blog. À primeira vista, a vida nessas condições – tendo que suportar as altas temperaturas do verão e a força da arrebentação das águas – parece difícil. Mas a natureza se encarregou de dotar esses animaizinhos dos aparatos necessários para a sobrevivência neste tipo de ambiente. Professor Novelli observa que as cores claras destes animais ajudam a refletir a luz do sol, diminuindo a retenção de calor e, consequentemente, permitindo que estas espécies possam se adaptar naturalmente às grandes oscilações térmicas. Outro dado curioso: os animais da praia, em geral, têm a capacidade de se enterrarem na areia rapidamente, escapando, assim, do impacto direto das ondas do mar. _ Em geral, os organismos possuem a forma do corpo ovóide, apresentando, frequentemente, modificações nos apêndices locomotores. É o caso, por exemplo, do tatuí, que possui o dáctilo (espécie de dedo com unhas para cavar) das patas do tórax em forma de foice, o que minimiza os gastos de energia na atividade de escavação – explica o amigo professor Novelli. Também não há o perigo da areia sufocá-los. Como explica o professor Novelli, muitas espécies apresentam cerdas e antenas, que selecionam o material em suspensão e impedem o entupimento dos seus aparatos respiratórios. Os Sernambi, por exemplo, é comum a presença de digitações na abertura do sifão inalante – que leva a água com oxigênio até as brânquias – as quais impedem a entrada do sedimento mais grosseiro em seu organismo. Além disso, crustáceos e moluscos da praia costumam migrar para áreas mais fundas quando se sentem ameaçados, seja para sair da zona destrutiva das ondas, da turbulência excessiva, da ação de predadores ou, ainda, para manter as populações em locais com condições ótimas de disponibilidade de alimento. O tatuí e o Sernambi normalmente se localizam a uma profundidade inferior a 8 cm, na zona de espraiamento (onde existe permanente fluxo de água). Já o tatuzinho prefere ficar mais acima, nas áreas denominadas supra (acima da marca média da maré alta) e meso-litoral (zona alcançada por todas as marés). Os primeiros se alimentam de algas microscópicas, enquanto o tatuzinho come qualquer matéria orgânica em decomposição encontrada na praia. Seus predadores mais comuns são o Siri branco, o Caranguejo Maria Farinha e a ave marinha Batuíra-de-Coleira.

André Pinto analisa um filhotinho de caranguejo Uçá-mirim no Pontal de AtafonaAndré Pinto verifica uma Maria Farinha (espera maré) no Balneário de Atafona

Eloína Gomes Pinto, filha do ambientalista André Pinto, tem aula de educação ambiental na praia de Atafona.

André Pinto com José Carlos (angolano) verificando uma espécie de molusco encontrado na praia de Atafona.

Fonte: Ronaldo Novelli – Monitor Campista 01/01/2004. Adaptação do texto e imagens: André Pinto