sexta-feira, 10 de abril de 2009

CRIADOS OS SITES SOBRE O CARNAVAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES

Como a realização do carnaval de Campos dos Goytacazes será entre os dias 30 de abril e 03 de maio de 2009, fato inédito na região, muitas pessoas estão na expectativa do que vai ser apresentado na avenida do samba da terra do petróleo, cana-de-açúcar, das universidades, do turismo e de pessoas bonitas.
Com este intuito,Marcelo Sampaio acaba de criar um site que promete estourar o índice de visitações na net. Achei muito legal esta iniciativa e dou meus parabéns para este idealizador visionário.
Bem que São João da Barra poderia criar um blog ou site mesmo, para se fazer um museu virtual contando a história de nosso carnaval, fatos curiosos, a história dos blocos e Escolas de Samba, saudosos carnavalescos, carros alegóricos que marcaram época etc , pois sabemos que existem várias pessoas que têm arquivos fotográficos maravilhosos na terra de Narcisa Amália. Eu já me ofereço para ajudar na empreitada e é só montar a equipe, pois a idéia está lançada. Ademais, em tempos de reuso e reciclagem, de forma ecologicamente correta, as fantasias são desmontadas logo após o carnaval para darem criação à outras peças. Nada se cria, nada se perde, tudo se tranforma, como dizia Lavoisier...
Visite então o maravilhoso site do carnaval campista em
OUTRO SITE CONTA A HISTÓRIA DO CARNAVAL DE CAMPOS DOS GOYTACAZES
O Blog
http://www.carnavalcampos2009sintesehistorica.blogspot.com/ está disponível para acessos do público em geral e foi idealizado com muita competência. Para quem não conhece a sua história, aí vai a matéria extraída deste interessante blog:
"Em Campos dos Goytacazes, apesar do Monitor Campista ter sido fundado em 1834, os registros sobre o carnaval campista naquela época são raros, embora exista a evidência de que os aristocratas rurais, também, “realizavam suas festas carnavalescas” nas casas grandes de suas fazendas e engenhos, a exemplo dos que ocorriam no Rio de Janeiro, como os bailes, em 1825, nas mansões da Marquesa de Belas, dos Carneiro Leão, dos Carvalho e Mello e do Barão do Rio Seco, além de outras famílias abastardas...
Horácio Souza (op. cit.), depois de explicar a história de que Campos tinha o “segundo melhor carnaval do Brasil”, aclarando ter sido uma alusão feita por um tal de Guilherme Ribeiro, também chamado de “Lord Sogua”, ex-chefe dos Democráticos, do Rio de Janeiro, mas somente com relação “ao fulgor dos seus préstitos”, registra:“Realmente, desde muitos anos, Campos conta com clubes valorosos, que primam pelo luxo e arte, com que plasmam as idéias nas pomposas alegorias, extasiando o grande público com as magníficas concepções – tanto é a conjugação dos esforços dos que sustentam antiqüíssimas sociedades, como a do Macarronis (fundada em 1870), “Tenentes de Plutão” (13 de janeiro de 1884) e “Indianos Goytacaz” (6 de agosto de 1896).
“Em tempos idos, esplêndidos carnavais, (sic) assistimos e assim é que bem nos lembramos de “Club Neptuno”, cujos carros sempre nos apresentavam as coisas da mitologia criada pelos gregos em relação à marinha, - eram soberbas estruturas prenhes de fulgências. Outros clubes têm existidos e desaparecidos no decorrer dos tempos, - os “Democráticos”, em 1882 e, em 1883, os “Caboclos Negros”, o “Club da Concha” do Raul Cardoso, os “Aventureiros” e os “Voluntários”.
O escritor mergulha no passado para falar dos clubes antigos, registrando que, em 1857, “os campistas passaram a construir préstitos carnavalescos, a pé, a cavalo ou em carrinhos” e que a primeira associação teve o nome de Sociedade Congresso Carnavalesco, promotor de bailes na sua sede à rua do Sacramento. E narra, sem antes falar de outras sociedades carnavalescas, como a “Sociedade Commercial e Artística” (1870), “Club Carnavalesco Bamboche” (1871) e o “Club Estréa Campista” (1872):“Em 1858, o préstito teve muita música, um carro forrado de parras e panos, à moda das antigas saturnais. A comitiva, com máscaras, seguia em carrinhos ou a cavalo, levando cada um o seu bouquet com o que se ia brindando as damas...”Como sempre não faltavam rivalidades entre os que se chamavam na época de grandes sociedades carnavalescas. Souza (op. cit.) descreve, ligeiramente, a célebre “Noite das Garrafadas”, em 21 de fevereiro de 1887, decorrente de uma briga entre as sociedades Macarroni e Plutão:“Era segunda-feira de carnaval e como andava acesa a rivalidade dos dois clubes, os “Macarroni” (sic) fizeram uma passeata contendo uma crítica de enterro do clube adversário, indo até a porta da sede dos “Plutões”, na rua do Sacramento nº 10 (sobrado que fazia esquadria com a rua do Mafra)[1], sendo o préstito “macarrônico” recebido à garrafas (sic) que eram atiradas do alto, da sede “plutônica”. Houve tiros, pânico, correrias, seis pessoas feridas, tentativa de incêndio no barracão dos “plutões”, uma batalha cruel, bem diferente das batalhas carnavalescas de agora, em que “Macarroni” e “Plutões” (sic) combatem no campo da graça, da sátira fina, do gosto apurado”.Outro caso havia com os “Plutões’ e, que teve muita repercussão, em fevereiro de 1891, foi o da crítica do “São Jacob”. O fato deu-se por ter o delegado Affonso Osório (sic), proibido a saída de um carro em que havia uma figura designada S. Jacob, alusão ao Governador Portella, à quem (sic) a polícia dera tal apelido. O Club deixou de sair e expôs o carro ao público, no barracão”.
Curiosamente, não há registro sobre o fim do entrudo no Rio de Janeiro. A manifestação parece ter sumido do mapa com um edital do Desembargador Siqueira, em 1853, proibindo este tipo de brincadeira. No livro Memória do Carnaval existe a citação, muito lacônica, dando conta de que, “de fato, se consegue, pela primeira vez evitar sua realização (do entrudo)”.
Se por um lado o entrudo sumiu do palco das realizações carnavalescas do Rio, há indícios de que continuou firme em outras cidades. Em Campos, sua morte é anunciada, por Souza, da seguinte forma:“O carnaval campista de outrora não tem semelhança, afora os préstitos dos clubes, com os carnavais hodiernos. Não se vê mais o entrudo com seus “limões de cheiro”, seringas e bisnagas, pois os últimos anúncios do Vieira Bellido acerca da venda de cera e formas para os tais “limões” foi publicado em 1892... Não quer isto dizer que desaparecessem desde logo os limões e bisnagas. Só em 1896, com a entrada em Campos dos confetes e serpentinas[2], introduzidos pelo Arthur Rockert, foi que o entrudo agonizou”.Na descrição dos principais acontecimentos do primeiro centenário da cidade (1835-1935), Souza (op. cit.) não registra o surgimento dos cordões carnavalescos, blocos e ranchos e nem os jornais da época deram qualquer nota sobre o assunto. Não resta dúvida de que as grandes sociedades carnavalescas eram dirigidas por figuras expressivas da sociedade, como usineiros, fazendeiros, grandes comerciantes, industriais, enquanto que os chamados “cordões de índios” concentravam a massa de operários e pessoas oriundas dos mais baixos extratos sociais, não merecendo, por isso, notícias de seus desfiles, a não ser em funções da prática de violência exacerbada por causa da competição entre estes grupos.(...)Sobre os famosos blocos de escudos que, com os cordões carnavalescos, fizeram parte do carnaval das décadas de 20 a 50, aproximadamente, o escritor salienta que os primeiros, sem o objetivo de disputar títulos na avenida eram “grupos de rapazes que se uniam para promover a diversão”. São citados os “Bumba Meu Boi”, “Os Fiteiros” e o “Família Conchambrança”, como as primeiras manifestações. (...) Porém, na primeira metade dos anos 60, ainda havia desfile desses blocos e de ranchos, reunidos em torno da Federação Campista das Pequenas Sociedades Carnavalescas, fundada por Rodoval Bastos Tavares e Aurino Barroso, mas, anos mais tarde, presidida, vitaliciamente, por José Sartro Costa, o J. Costa. Mas são inúmeros os blocos, começando pelo “Felisminda Minha Nega”[3], e seguindo uma longa lista, na qual constam os “Pega Veado”, “Quem Sabe Não Diz”, “Apaixonado das Morenas”, “Apaixonados do Norte”, “Canção das Morenas”, “Prazer das Morenas”, (de Antero dos Santos)[4], e o “Deixa Que Eu Chuto”, bloco este envolvendo carnavalescos como Carlos Moreira, Antonio Clementino, Altamir Bóia, Moacir Correa, Antonio 1600, Zazau, Hermes Lima, Ailton Pacheco, Roberto Moreira, Reinaldo Moço e o porta-bandeira Oswaldinho. (...)O tempo dos malandros cariocas, vestidos sempre de branco, chapéu de chile à cabeça e que faziam ponto no Largo da Lapa de tantas histórias e tradições, de “Miguelzinho Camisa Preta” e da “Madame Satã”, influenciou a criação das batucadas de Campos dos Goytacazes, no início do século XX, coincidente com o surgimento dos primeiros núcleos habitacionais decorrentes do crescimento horizontal da cidade, por força, principalmente, das migrações ocorridas, no sentido campo/cidade, após a abolição da escravatura.
Históricamente são considerados os primeiros batuqueiros Tio Godô, Joaquim Beiçola (leão-de-chácara da Casa da Esmeralda), Batista Sapateiro, Moacir Guarda, Antonio Pereira, o Quibanda e o famoso Serafim Ferreira, o popularíssimo Sarafa. E, segundo, Jorge Chinês, “as batucadas surgiram sempre após o regresso de alguns malandros do Rio de Janeiro” e a atividade era de risco, porque, como acontecia na capital federal, a polícia baixava o pau nos negros que cultivavam o samba, em sua forma mais original, com instrumentos artesanais: tamborins com caixas de madeira e couro de gato esticado; o surdo era um tamborete e o repinique uma pequena caixa de boca pequena destinada a produzir um som mais grave. O resto, frigideiras, pratos de banda de música, pandeiros e outros oriundos das capoeiras e das jongadas, como os agogôs, candongueiros e chocalhos...
A batucada como cultura produzida pelos negros, principalmente depois da abolição da escravatura, ganha notoriedade no desenvolvimento centro-urbano, dos anos 30 (...) Como os desfiles não eram organizados, as brigas ocupavam o palco das folias, o que desestimulava o carnaval de rua para as classes dominantes e seus lídimos representantes desfilavam em cima dos carros durante o corso ou nas grandes sociedades carnavalescas. A partir de determinada hora, porém, o carnaval dos ricos se transferia para os bailes nos salões do Automóvel Club Fluminense, Saldanha da Gama, Rio Branco e Campista, mas havia bailes medianos na Lyra de Apolo, Macarroni, Guarany, Operários Campista, Conspiradora, Itatiaia, Plutão, Futurista FC, além de outros avulsos”... (...)
Depois do fim do conflito mundial, as batucadas vão desaparecendo e surgindo as escolas de samba, nos mesmos moldes do que vinha acontecendo no Rio de Janeiro, a partir da criação da União Geral das Escolas de Samba do Brasil, cuja fundação ocorreu em 15 de janeiro de 1933.
(...)Os anos 60 são tidos como os melhores do carnaval de Campos. Chinês considera ter sido a década de ouro do samba. Naquele ano a "Mocidade Louca", responsável pela modernização dos desfiles e quem introduz pessoas da classe média em suas alas, desfila em 1959, oficialmente, pela primeira vez. Foram à avenida "Sorriso do Norte", "Madureira do Turfe", "Amigos da Farra", "Mocidade Louca", "Unidos da Coroa" e "União da Esperança". A Mocidade ganhou sete anos consecutivos e só perdeu a hegemonia com o fabuloso desfile do GRES Unidos de Cambaíba, em 1967 e, depois, com o crescimento vertiginoso da União da Esperança, sua maior rival durante mais de 20 anos de carnaval. (...)
Bem, se vocês desejam conhecer melhor esse texto, irão encontrá-lo no livro "Muata Calombo - consciência e destruição - O olhar da imprensa sobre a cultura popular da região açucareira de Campos dos Goytacazes", de autoria do Professor e Mestre, Orávio de Campos Soares. O livro encontra-se a venda na recepção da Faculdade de Filosofia de Campos.
[1] O Clube Tenentes de Plutão, era sediada à avenida 15 de Novembro, 35. Com o fim dos desfiles das grandes sociedades, nos anos 50, a entidade, que tinha outras atividades culturais, como o teatro, fez um convênio, em 1965, com a Associação Regional de Teatro Amador – ARTA -, na presidência do jornalista Fernando José Gomes; e a Prefeitura Municipal de Campos, transformando o prédio no atual Teatro de Bolso, anos mais tarde, irregularmente, transferido para a municipalidade, que o administra até hoje.
[2] No Rio de Janeiro, em 1892, portanto quatro anos antes, registrou-se o surgimento do confete e da serpentina como as grandes novidades nas passeatas préstitos e cordões.
[3] A Felisminda Minha Nega, entidade ainda existente, mas que já não desfila há mais de 40 anos, fundada na casa de sinhá Rosa, na rua Dr. Ultra, quase defronte a atual sede do Bloco “Os Psicodélicos”, teve como primeiro diretores Percílio Oliveira, Manuel dos Santos, Alcebíades Pinto, José Rosa, Floriano Alves, José Manequim, Alceusinho, Amadeu Chácar (Pai), Piqui, Euclides, Antonio Sardinha e Aurino Barroso (Jorge da Paz Almeida, op. cit.).
[4] Antero era da Felisminda. Ele se zangou com a diretoria e arrastou, com ele, Zilá Fonseca, Otacílio Freitas, Claudionor Rosa, Geraldo Neves, Eugênio Tamanqueira, Reinaldo Moço, Aristóteles Eiras e Domingos Ferreira, fundando o “Prazer das Morenas”, surgindo, em decorrência, uma grande rivalidade entre os dois blocos."

2 comentários:

Anônimo disse...

caro amigo tenho um blog e gostaria que vc colocasse um link é www.saofranciscoagora.blogspot.com
um abraço flori

morena disse...

olá! eu trabalhio na bibloteca mu icipal Nilo Pessanha. Tem tido muitas pesquisas sobre o carnaval de campos, mas, tem um assunto que não conseguimos pesquisar, que é sobre a Federação Carnavalesca do Rio de Janeiro. Quando se deu início, quais eram as regras, etc.Usamos também a net para nos auxiliar nas pesquisas Eu gostaria de saber se exise a possibilidade de colocar mais este link.Sem mais obrigada e parabéns pelo seu blog!