domingo, 8 de março de 2009

NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER, O BLOG RELEMBRA A POETISA SANJOANENSE NARCISA AMÁLIA

NARCISA AMÁLIA - A PRIMEIRA FEMINISTA DO BRASIL !!!
Narcisa Amália de São João da Barra (nascida em 3 de abril de 1856, falecida em 24 de junho de 1924) foi uma poeta brasileira. Foi a primeira jornalista profissional do Brasil. Movida por forte sensibilidade social, combateu a opressão da mulher, o regime escravista, segundo Sílvia Paixão, “um dos raros nomes femininos que falam de identidade nacional” e busca sua própria identidade “numa poética uterina que imprime o retorno ao lugar de origem”.
Obra mais conhecida: Nebulosas
Fonte: Wikipedia
RESIGNAÇÃO
No silêncio das noites perfumosas,
Quando a vaga chorando beija a praia,
Aos trêmulos rutilos das estrelas,
Inclino a triste fronte que desmaia.
E vejo o perpassar das sombras castas
Dos delírios da leda mocidade;
Comprimo o coração despedaçado
Pela garra cruenta da saudade.
Como é doce a lembrança desse tempo
Em que o chão da existência era de flores,
Quando entoava o múrmur das esferas
A copla tentadora dos amores!
Eu voava feliz nos ínvios serros
Empós das borboletas matizadas...
Era tão pura a abóbada do elísio
Pendida sobre as veigas rociadas!...
Hoje escalda-me os lábios riso insano,
É febre o brilho ardente de meus olhos:
Minha voz só retumba em ai plangente,
Só juncam minha senda agros abrolhos.
Mas que importa esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
Se nas asas gentis da poesia
Eleva-me a outros mundos mais formosos?!...
Do céu azul, da flor, da névoa errante,
De fantásticos seres, de perfumes,
Criou-me regiões cheias de encanto,
Que a luz doura de suaves lumes!
No silêncio das noites perfumosas
Quando a vaga chorando beija a praia,
Ela ensina-me a orar, tímida e crente,
Aquece-me a esperança que desmaia.
Oh! Bendita esta dor que me acabrunha,
Que separa-me dos cânticos ruidosos,
De longe vejo as turbas que deliram,
E perdem-se em desvios tortuosos!...
Textos:
"Suponho ter sido eu, no Brasil, quem primeiro ergueu a voz clamante contra o estado de ignorância e de abatimento em que jazíamos, em artigos que denominei - ‘A mulher no séc. XIX’ e ‘A emancipação da mulher’""A essa voz, antes - magoado queixume de vítima em hora de desfalecimento profundo, que alarmante brado de revolta, responderam-me menos delicadamente alguns cavalheiros da imprensa paulista (...), recearam, porventura, que, a um meu aceno, suas esposas abandonassem o pot au feu e, tomando o bordão de peregrinas, marchassem em demanda da terra da emancipação (...)""Ao exemplo dos banhistas, no mar, ao vir a onda, mergulhei para deixar passar o vagalhão dos protestos (...) Mas... colheu-me de surpresa a nevrose cardíaca, enfraquecendo-me a energia, inutilizando-me absolutamente para as rudes lutas da inteligência, para as pugnas incruentas, mas extenuantes, da imprensa..." [In A Família. Rio de Janeiro, 31 dez. 1889, p. 6.]

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