domingo, 28 de setembro de 2008

ESPORÕES DE LOBITO EM ANGOLA SERIAM MODELOS PARA ATAFONA?

FOTOS: ESPORÕES DE LOBITO , ANGOLA. ANDRÉ PINTO ENTROU EM CONTATO COM ANGOLANOS PARA SABER INFORMAÇÕES SOBRE A CONTENÇÃO DE PROCESSO EROSIVO EM LOBITO E SE O MESMO PROCEDIMENTO PODERIA SER ADOTADO EM ATAFONA, SÃO JOÃO DA BARRA. VEJA A CARTA ENVIADA:
"Prezado Editor do Blog,
Primeiramente, gostaríamos de dizer que adoramos o vosso blog! É excepcional! Muito inteligente mesmo! Nós aqui do Brasil, especificamente da cidade de São João da Barra, ao norte do Estado do Rio de Janeiro, gostaríamos de saber mais sobre os esporões de Lobito.
A nossa cidade, na localidade de Atafona que é uma praia que vive do turismo, sofre processo de erosão costeira por mais de 50 anos e tivemos 14 ruas e 400 casas devoradas pelo mar, dentre as quais um posto de gasolina, uma coooperativa de pesca, frigoríficos de pescado etc. Não foi feito nada ainda para a contenção das ondas neste local.
Como vi na internet o caso dos esporões de Lobito, fiquei curioso em ter mais notícias. Gostaríamos que vocês, pela competência já demonstrada em suas edições, publicassem no blog se o problema de lobito foi resolvido com as construções dos esporões, pois nos seria de grande valia ter esta informação e trocarmos idéias atrávés de nossos blogs.
Eu tenho um blog ambiental (veja endereço abaixo), onde poderemos fazer uma espécie de correspondência (Angola-Brasil). Eu tenho um irmão angolano chamado José Carlos Coutinho Domingos, proveniente de Luanda, de Sambi Zanga, e ele viu o blog de vocês e se encantou juntamente comigo.
Ele está aqui há 18 anos e depois da paz em Angola ainda não voltou para ver os seus familiares. Eu sou funcionário da Prefeitura de São joão da Barra na área ambiental e estamos preocupados com a erosão, pois teremos um Porto chamado "Porto do Açu" em São João da Barra para transportar minério de ferro e a construção de seu pier poderá afetar ainda mais o processo erosivo por nós vivenciado.
Gostaríamos, então, de manter contato com vocês, pode ser? Grande abraço,
Parabéns pelo Blog. Atenciosamente
André Luiz Rodrigues Pinto
Membro da Comissão de Acompanhamento e Avaliação de Projetos Especiais para o Porto do Açu - CAAPES"
SÃO JOÃO DA BARRA, 28 DE SETEMBRO DE 2008.
FOTO: VISÃO DA FOZ DO RIO PARAÍBA DO SUL POR SATÉLITE, ONDE HÁ O FENÔMENO DE EROSÃO COSTEIRA EM ATAFONA,
ENTENDA MAIS SOBRE OS ESPORÕES NA PRAIA DE LOBITO
Casos de aplicação dos esporões
Um esporão é caracterizado essencialmente por ser uma obra transversal e por atuar por modificação no transporte litoral. As finalidades com que se constroem esporões podem reunir-se nos grupos seguintes: a) Estabilizar uma praia sujeita a períodos intermitentes de recuo e avanço. b) Construir ou alargar uma praia, por retenção do transporte litoral. c) Evitar a saída de material de uma praia sub-alimentada e que interessa conservar. d) Evitar o assoreamento de uma zona a sotamar, atuando como obstáculo litoral. Os casos a), b) e c) referem-se propriamente a erosão costeira, enquanto que o caso d), situando-se num plano oposto, tem interesse quando se pretende proteger a embocadura de um porto ou de um canal navegável contra a entrada de aluviões.
A titulo de exemplo do caso b) pode apontar-se o do esporão construído no Estoril com o fim de alargar a praia. Aqui existia um transporte litoral dirigido sempre no mesmo sentido (de oeste para leste) qualquer que fosse a direção da agitação exterior. Estava naturalmente indicada a aplicação de um esporão, o qual construído deu ótimos resultados. Convém, no entanto, esclarecer que o efeito de retenção do esporão foi auxiliado com enchimento artificial, uma vez que o transporte litoral, embora de sentido constante, era bastante reduzido. A praia atingiu uma situação de equilíbrio compatível com as condições locais.
O caso c) (evitar a saída de material de urna praia sub-alimentada) pode ser ilustrado com o que se passou na zona da Costa Nova. Devido às obras construídas na embocadura da ria de Aveiro (prolongamento do molhe norte e construção do molhe sul), o caminhamento de areias que se faz, em resultante, de norte para sul foi fortemente modificado, ficando grande parte do material retido a norte do molhe norte. Resultou daqui que as praias a sul (Costa Nova) passaram a estar sub-alimentadas e rapidamente entraram em erosão. Para se evitar a saída de material dessas praias foi construído um campo de esporões, o qual, foi auxiliado por defesa longitudinal aderente.´
Finalmente refere-se a aplicação de esporões como obstáculos litorais destinados a evitar assoreamentos. Um caso típico é o da restinga do Lobito, flecha de areia que, avançando a uma velocidade de cerca de 20m por ano, ameaçava fechar a baia onde se situa um importante porto. A análise do problema, comprovada por ensaios em modelo reduzido, mostrou que o avanço da restinga poderia ser evitado mediante a construção de um campo de esporões devidamente concebido e programado.
Campo de esporões do Lobito (Angola)
A construção do campo de esportes encontra-se em curso com bons resultados. Este é um dos casos em que o transporte litoral se apresenta permanentemente no mesmo sentido e onde, portanto, seria de esperar que o emprego de esporões conduzisse a bons resultados. Limitações dos esporões a) O fato de os esporões atuarem fundamentalmente como retentores do material em movimento leva à conclusão de que o emprego destas obras de defesa só será eficaz se existir um transporte sólido litoral de sentido praticamente constante. A existência deste transporte sólido implica, por sua vez, a existência de uma fonte de alimentação de areias e, por outro, uma certa obliquidade das ondas em relação à costa. Não será portanto de recorrer ao uso de esporões se não puder dispor-se de uma fonte de alimentação, a menos que se recorra à alimentação artificial, a qual, no entanto, deverá ser efetuada com uma certa periodicidade. A este assunto se voltará mais adiante.
b) O maior inconveniente no emprego dos esporões reside no fato de a Interrupção parcial ou total do transporte sólido originar erosões por vezes muito graves na zona de sotamar do esporão, que se viu privada da sua alimentação em sedimentos. Dai que um esporão raramente é construído isoladamente, mas sim em grupos que cobrem em geral toda a zona afetada, constituindo o que se designa por "campo de esporões". Contudo, mesmo neste caso, a zona imediatamente a sotamar é normalmente sede de escavações que chegam a pôr em risco a estabilidade da obra, sobretudo se sé tratar de uma estrutura rígida. Cita-se como exemplo o caso dos esporões de defesa das praias da Beira, cuja estrutura, de betão armado, foi por vezes destruída em virtude de escavações junto à face de sotamar. Para fazer face às erosões verificadas junto à face de sotamar dos esporões podem empregar-se as seguintes medidas: 1º Paredão a sotarnar - Esta medida tem sido usada desde há muito tempo, e pode ter efeitos satisfatórios quando a erosão que se verifica na extremidade do paredão não for muito violenta. 2º Esporão auxiliar - Um segundo esporão, de menor importância e colocado em V em relação ao primeiro, evita a erosão na vizinhança Imediata do esporão principal, mas é um método caro e o seu efeito limita-se a uma área pequena. 3º esporões em T – Nestes esporões as correntes de onda, originadas pelo efeito da difração, provocam a acumulação do material de ambos os lados do esporão (1), embora esta seja mais importante de lado de barlamar. 4º Esporões em L – Nestes esporões o quebra-vagas paralelo à costa, provoca, pelo mesmo efeito da difração, a acumulação de material na zona imediatamente a jusante do esporão. 5º Esporões em Z – Estes esporões têm o mesmo efeito que os anteriores, mas apresentam a vantagem de serem normalmente mais baratos do que os esporões em L, em virtude de o quebra-mar- ficar situado em menores profundidades. 6º Alimentação artificial - A alimentação artificial constitui um outro método de proteção contra as erosões verificadas na zona de sotamar dos esporões. (1) o efeito de quebra-vagas que constitui uma das partes do T é o mesmo que se verifica num quebra-vagas isolado.

2 comentários:

jairo disse...

Olá, amigo.
Muito interessante este post. Afinal, o pessoal de Lobito respondeu a sua carta?

Luiz disse...

Esse projecto foi elaborado pelo Laboratorio de Engenharia civil de Lisboa serviu tambem de prova para a implementação de esporões na praia da Figueira da foz, em Portugal.