sexta-feira, 23 de outubro de 2009

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DA BARRA QUER INCLUIR MUNICÍPIO NO PROJETO DO "CAMINHOS DOS SETE CAPITÃES"

Gravura: Imagem de bandeirantes que desbravaram os Brasil e criaram diversas sesmarias. Fonte: wikipédia.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DA BARRA QUER INCLUIR MUNICÍPIO NO PROJETO DO "CAMINHOS DOS SETE CAPITÃES"

A Prefeita Carla Machado, do município de São João da Barra-RJ, envia amanhã, 24/10, um representante da administração pública municipal para participar da reunião ordinária do Instituto Sete Capitães, que se dará na Fazenda Airis, às 10 horas, na estrada de Macaé-Glicério (Macaé), onde na oportunidade haverá, além da reunião ordinária acima mencionada, o plantio simbólico de uma espécie de árvore chamada "Baobá", proveniente da África e que suas primeiras mudas foram trazidas por escravos, e, em seguida um almoço de confraternização entre os convidados.

Para Andre Pinto, guia em turismo regional lotado no Núcleo de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMASP) e estudioso dos caminhos históricos dos Sete Capitães, a participação de São João da Barra nesta reunião é essencial para que os "Caminhos dos Sete Capitães em São João da Barra" também sejam reconhecidos e divulgados principalmente pela presença dos mesmos na região, que antigamente se chamava Iguassú ( era conhecida como a "região do gado do vento") e hoje é conhecida como Açu (no tupi-guarani significa coisa grande), que abrigará um dos maiores portos do Brasil para escoamento de minério.

Frisa Andre Pinto ainda, que a Lagoa do Salgado, hoje um patrimônio geopaleontológico da humanidade, que está sendo objeto de tombamento pela UNESCO por seu material fóssil do periodo pré-cambriano, teve seu nome dado pelos Sete Capitães, nas expedições destes bandeirantes desbravadores nos séculos passados.

Foto: Andre Pinto, guia em turismo regional cadastrado na turisrio e membro do Núcleo de Educação Ambiental da SEMASP, já fez diversos guiamentos científicos à Lagoa do Salgado para estudantes e professores da UERJ, UFF e Unirio. Só falta agora a inclusão da Lagoa no Projeto "Caminhos Geológicos do DRM" e "Caminhos dos Sete Capitães", frisa Andre Pinto.

Urge também salientar que a criação da "vila de São João da Praya", atual São João da Barra, foi uma das incumbências dadas pela Corôa Portuguesa para que estes (Sete Capitães) estabelecessem a vila com Casa da Câmara e Cadeia , ruas abertas, pelourinho, 60 casas e outras melhorias, sob perda da concessão para a Corôa novamente.

Deste modo, a Prefeita Carla Machado está encaminhando, pelo funcionário público municipal Andre Pinto, o projeto de restauração da Casa da Câmara e Cadeia, com seu respectivo orçamento e uma intenção de parceria com o Instituto Sete Capitães. Andre Pinto falará também naquela reunião, das intenções de se incluir também em projetos turísticos-culturais do PAC, a Lagoa do Salgado, batizada pelos Sete Capitães em uma das suas expedições pelo litoral da extinta Capitania de São Tomé.

CONHEÇA A HISTÓRIA RESUMIDA DOS SETE CAPITÃES

Com o fracasso da capitania de São Tomé, a colonização das terras da região norte fluminense foi abandonada pelos seus donatários. Ao mesmo tempo, os índios Goitacazes que habitavam a região foram dizimados em lutas que uniram os portugueses do Espírito Santo com os índios cristianizados que viviam em São Pedro da Aldeia. As terras da região norte fluminense estavam, portanto, praticamente desabitadas nesta época.

Em 1627, sete militares portugueses solicitaram ao governador do Rio de Janeiro, Martim Correia de Sá, que estas terras lhes fossem dadas como recompensa pelos serviços que tinham prestado nas lutas contra os invasores holandeses e contra os piratas ingleses e franceses que infestavam o norte fluminense.

Em 19 de agosto de 1627, Martim Correia de Sá concedeu-lhes em sesmaria as terras "desde o rio Macaé, correndo a costa, até o rio Iguaçu, ao norte do cabo de São Tomé e para o sertão até o cume das serras". Assim, pelo litoral, as terras iam de Macaé até quase a foz do rio Paraíba do Sul e para o interior até as serras que formavam o vale do rio Paraíba do Sul. A intenção do governador Martim Correia de Sá era povoar a região abandonada, pois se havia esgotado o comércio do pau-brasil.

Os sete militares que receberam a sesmaria foram:

Todos os sete militares eram pessoas abonadas, moradoras na cidade do Rio de Janeiro, exceto Miguel Vaz Riscado, senhor de terras em Cabo Frio[1]. Dos sete, três eram tios de João de Castilho Pinto: Gonçalo Correia, Duarte Correia Vasqueanes e Manuel Correia. Miguel Aires Maldonado era genro de João de Castilho Pinto.

Em 1629, os Sete Capitães receberam a posse jurídica da sesmaria e começaram a organizar a sua exploração. Miguel Aires Maldonado e João de Castilho Pinto são considerados os líderes das expedições.

No final do ano de 1632, os Sete Capitães reuniram-se em Cabo Frio. No dia 2 de dezembro de 1632 partiram até a aldeia de índios pacificados que havia na foz do rio Macaé para encontrar um certo Domingos Leal. Iniciaram então a exploração das terras que tinham recebido em sesmaria, procurando por pastagens naturais para criação de gado bovino, o que encontraram nas proximidades da lagoa Feia e do rio Paraíba do Sul.

Os Sete Capitães ainda realizaram outras viagens de exploração da sesmaria entre 1633 e 1634. Nessas viagens implantaram currais e fazendas de criações de gado.

O capitão Miguel Aires Maldonado escreveu um relato destas expedições de exploração denominado "Roteiro dos Sete Capitães, cujo título original era "Descrição que faz o capitão Miguel Aires Maldonado e o capitão José de Castilho Pinto e seus companheiros dos trabalhos e fadigas das suas vidas, que tiveram nas conquistas da capitania do Rio de Janeiro e São Vicente, com a gentilidade e com os piratas nesta costa”[2]. O "Roteiro dos Sete Capitães" descreve a descoberta de diversos acidentes geográficos da região norte fluminense e as toponímias criadas pelos Sete Capitães, as quais são usadas até hoje, como lagoa Feia, rio Macabu (daí Conceição de Macabu), Rio Bonito, Carapebus, Campos dos Goytacazes e Quissamã.

Miguel Aires Maldonado e João de Castilho Pinto eram inimigos políticos do governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, e dos Jesuítas. Antes de partir para expulsar os holandeses de Angola, em 9 de março de 1648, Salvador Correia de Sá e Benevides fez uma verdadeira espoliação nas terras que tinham sido doadas aos e exploradas pelos Sete Capitães. Alegando confusão na delimitação das propriedades, Salvador Correia de Sá e Benevides elaborou uma "escritura diabolica" - como afirmam os cronistas - dividindo as terras exploradas em 12 quinhões, dos quais quatro e meio foram destinados aos Sete Capitães e seus herdeiros, três ao próprio governador, três à Companhia de Jesus, uma ao provedor da fazenda Pedro de Sousa Pereira (casado com Ana Correia, portanto genro de Manuel Correia, primo do governador) e meio quinhão aos monges da Ordem de São Bento. Os Sete Capitães, que eram os legítimos possuidores, foram assim despojados de quase 2/3 das terras que tinham recebido e explorado. A divisão só se manteve porque, de todos os sete, somente Miguel Aires Maldonado e João de Castilho Pinto demonstraram forte interesse nas terras e mantiveram forte oposição ao governador e aos Jesuítas.

Notas

  1. Este segundo nome é o citado em SILVA, Marco Polo T. Dutra P; História e genealogia do Norte Fluminense e Sul Capixaba
Referências
  1. SILVA, Marco Polo T. Dutra P; História e genealogia do Norte Fluminense e Sul Capixaba
  2. Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil tomo XVII. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1899
Bibliografia
  • GOMES, Marcelo Abreu. ABC de Macabu - dicionário de topônimos e curiosidades. Conceição de Macabu: Gráfica Macuco, 2004.
  • GOMES, Marcelo Abreu. Macabu - a história até 1900. Conceição de Macabu: Gráfica Macuco, 1997.
  • GOMES, Marcelo Abreu. Geografia Física de Conceição de Macabu. Conceição de Macabu: Gráfica e Editora Poema, 1998.
fonte: wikipédia.

Um comentário:

Angeline disse...

Muito boa essa postagem, além de ser um trabalho excelente que S J da Barra poderá realizar com verbas do PAC, para a memória local e regional, a própria postagem tem um belo texto que nos ensina um pouco das origens do povoamento da Região Norte FLuminense.
Parabéns, André e todos os envolvidos.